Viagem a negócios ou prazer?

Imagine um dia ao qual você precisa se levantar, se arrumar, pegar o carro e ir até o aeroporto para pegar uma avião para um outro país, uma viagem que vai levar 9 horas de ida. E você precisa ir porque é uma viagem de negócios. Talvez seja prazeroso para uma pessoa que adore aviões, viagens e movimento. E terrível para quem sair de casa só para ir na padaria da esquina seja um sacrifício enorme. Entenda o que é necessidade e desejo avaliado no Marketing sobre um produto.

Necessidades e desejos no Marketing (Foto: Reprodução/Internet)
Necessidades e desejos no Marketing (Foto: Reprodução/Internet)

No meu primeiro dia de aula de MBA deste ano de 2014 fui indagado em sala o que era e a diferença entre necessidade e desejo, e notei que é bastante complicado saber a diferença tentando descrevê-la, sou mais gráfico para tentar explicar isso.

Respondi que a necessidade era a sede, e o desejo era beber uma Coca-Cola para saciar. A discussão rolou até um dos candidatos disse-se pela visão do marketing e não do cliente, como foi a proposta direcionado a minha pessoa, que a necessidade vem de fora, e o desejo é CRIADO pelo Marketing (fato).

Um outro havia dito que necessidade era baseado na pirâmide Maslow (Necessidades físicas, segurança, sociais, auto-estima e auto-realização). Certa vez no ano de 2013 um dos professores do MBA que atuava como gerente operacional da rede Kinoplex havia pronunciado que em uma ação de endomarketing para premiar os funcionários, adotou que quem bate-se as metas daquele mês será premiado com uma viagem com tudo pago.

O mesmo havia dito que as metas foram batidas, mas o prêmio não foi bem recebido. E indagação é: Como é que é? A necessidade dos ganhadores daquela prêmio não era viajar, era pagar as contas. Então eles pediram para reverter o prêmio em dinheiro. Absurdo? Não. Apenas um fato que pode ajudar que as ações de Marketing não caiam em uma falácia.

Certa vez quando estava trabalhando numa produção de festival de teatro, a premiação aos grupos participantes era uma estátua feita pelo artístico plástico tão conhecido pela maioria dos atores e no mercado nacional, uma figura notória. Não teria valia alguma premiar os grupos com uma viagem a Broadway por exemplo. O reconhecimento do troféu por um artista famoso os garantiria algo mais que uma viagem que os permite “promover” seu trabalho.

É diferente de uma pessoa que participa de um concurso cultural para ganhar uma viagem, de uma pessoa que participa para promover sua pessoa. As necessidades são outras, e não batem na mesma tecla. Cada nível da pirâmide Maslow define a importância de entender quem? O seu público, o seu cliente.

A maioria dos brasileiros como evidenciam todos os anos as fontes de economia, política e revistas especializadas, se endividam. Querer uma viagem para suprir uma dívida não é algo que caia bem ao bolso. Se a viagem paga-se a dívida até que ia. Em uma outra ocasião enquanto eu trabalhava como supervisor num escritório de atendimento e informação, a gerente geral havia promovido um sorteio entre os funcionários e este ganharia um envelope de R$ 200,00 além de um pedido de 12 pizzas gigantes da Dominó.

Pirâmide de necessidades de Maslow (Foto: Reprodução/Internet)
Pirâmide de necessidades de Maslow (Foto: Reprodução/Internet)

E porque foi bem recebido? As maiores necessidades do ser humano é dinheiro e comida. Alguns outros leitores poderão ver isso como uma ofensa. Mas não é. A maioria das pessoas empregadas em setores de atendimento são de baixa renda e moradia precária. Não estão interessados em viagens, carros e festas luxuosas. Eles querem algum lhe forneçam sustento e segurança.  Os funcionários procuravam as necessidades fisiológicas e segurança.

A maior parte do público brasileiro se baseiam em necessidades básicas. Poucos são os que pertencem ao grupo das necessidades psicológicas e poucos ainda em relação as necessidades de auto-realização.

Já dizia a música de Gilberto Gill em a “Procissão” que descreve o rito religioso e ao mesmo tempo a vida. Na passagem – “Eu também/Tô do lado de Jesus/Só que acho que ele/Se esqueceu/De dizer que na Terra/A gente tem/De arranjar um jeitinho/Pra viver”. Este jeito é o que define a necessidade do povo brasileiro.

Num aspecto simples, o povo tenta caminhar sem perder as duas básicas necessidades, se conseguirem preencherem, irão partir para as outras. Senão, conseguem manter as duas sem deixar a peteca cair. Nisso consiste a necessidade. Suprimir algo básico ao ser humano.

Desejo.

A palavra quase clama uma luxúria. Mas o desejo tem um aspecto erótico e emocional. Não há escapatória. É tão igual as aulas de educação sexual. Todo mundo fala aos quatro cantos que sabe, mas quando há alguém para elucidar (esclarecer), todos ficam vermelhos de vergonha. O erotismo é uma base do desejo emocional, Freud não desmente esta teoria, embora os leigos possam tratar o trabalho dele apenas por este aspecto. O psicanalista não era um pervertido. Ele dizia que as ações, evoluções, quedas e ápices do ser humano eram baseados em desejos contidos sexuais.

Ao primeiro fato que nascemos pelados, e passamos a vida vestidos. E basta que um ensaio sensual seja feito, parece uma coisa de outro mundo. Proibir para polemizar? Deu certo. O Desejo também possui um aspecto emocional. Nada haver portanto com a vontade de FAZER o tempo todo.

Desejo - O que eu quero, mas não necessariamente preciso? (Foto: Reprodução/ Internet)
Desejo – O que eu quero, mas não necessariamente preciso? (Foto: Reprodução/ Internet)

Tem haver com nostalgia, relação, significado, sentimento, realização, posse, comportamento, ostentação e personalidade. O desejo de por exemplo de comprar uma relógio Mondaine caríssimo, só para ‘adquirir’ status. O desejo de uma mulher de utilizar um vestido último lançamento, tem algo haver com posse. Ou mesmo auto-preechimento. Mesmo o casamento é uma situação avaliada assim. O relacionamento entre duas pessoas, sem mencionarmos o aspecto sexual, apenas o emocional.

Dizem que se apaixonar não tem controle. Na verdade, nos apaixonamos porque nos identificamos. Algo completa outro? Mais ou menos. Na verdade não existe esta perfeição. O que existe é uma reflexão. Em diversas literaturas, vou citar duas, ilustram que nós não temos interesse em ninguém, apenas em nós mesmos. Parece egoísta e falso? Na verdade não.

Os livros “Como conquistar as pessoas” de Allan e Barbara Pease e “Liderança (como superar-se e desafiar outrosa fazer o mesmo)” de Dale Carnegie falam que para criar laços com as pessoas tanto num relacionamento amoroso ou operacional é preciso torna-la interessante, E NÃO VOCÊ.

Testei esta teoria, e funciona. Apenas funciona. O centro das atenções criam um desejo realizado. Todos na face da terra almejam ser o centro de atenções. Podem não querer uma publicidade devastadora, mas querem ter os seus 15 minutos de fama. É assim que funciona o cara ou a garota popular da escola.

Eles são os centros de tudo, eles abrem um espaço para os demais. E estes que tiveram o espaço cedido almejam ser (desejam) como eles. Uma reação recíproca. Um ciclo que garante a popularidade e recicla a próxima geração.

Segurança pessoal - necessidade básica.
Segurança pessoal – necessidade básica.

Na verdade o centro das atenções atingem pessoas com “necessidade psicológica” de criarem relações e amizades. Elas não se preocupam com dinheiro, segurança, moradia ou saúde. Não como algo ‘emergente’. Se fosse assim, o método só mudaria.Ao invés de perguntar o que a pessoa deseja, eu a empregaria. O resultado seria exatamente o mesmo.

O reflexo disso tudo é baseado em desejo e NECESSIDADE.

Desejo e Necessidade.

Vamos pensar em algo mais trivial. Tentar definir o que é um e outro e explicar isso em poucas palavras ou mesmo sem ter pensado no que pode ser, mais experimentamos a todo momento, é bastante complicado.

Mas entendemos que tomar sorvete nos sacia o calor e nos promete saborear. Desejo e necessidade? Quanto mais se estuda marketing, este conceito ganha complexidade. E por quê? Em muitos casos, as pessoas complicam mesmo. Necessidade é “Eu tenho sede” e desejo é “Eu quero tomar um suco de laranja”. Vou matar minha sede com o suco de laranja.

Coca-Cola carrega o slogan -
Coca-Cola carrega o slogan – “Beba alegria” (Foto: Reprodução/Internet)

E outras vezes querem criar uma ideia mirabolante de que necessidade é algo mais que necessidade e que desejo é algo mais que desejo. A ideia pode ser extrapolada. Mas basicamente é isso mesmo o que escrevi neste artigo.

  • Desejo – Procura de fonte de satisfação.
  • Necessidade – Suprimir elementos básicos a vida.

Simples?

Exemplo único de desejo que pode gerar necessidade. (CASE Vício em Games)

Um pensamento já pode ter passado na cabeça das pessoas quando jogam video game. No passado diziam que era coisa de vagabundo, a coisa hoje não mudou, continua sendo coisa de vagabundo. Mas é apenas para quando o ex-jovem se torna adulto e continua jogando ao invés de fazer um spinning. A verdade é que não se baseia no que é ou que pode ser. Mas GAMES são elementos desejáveis e não necessários.

A diversão por si só uma necessidade. Por quê? Pela diversão obtermos o relaxamento, um aspecto básico de necessidade da nossa pirâmide não é? O ser humano precisa de serenidade para manter a calma, a saúde e o bem estar seu e dos demais. Regra de vivência e convivência. Daí concluímos que existem maneiras de obter este relaxamento seja assistindo televisão, vendo cinema, jogando video games, fazendo esporte ou viajando não é mesmo?

Então games podem ser um recurso que preenche esta necessidade? Pode, mas não exatamente. Atualmente existem estudos dizendo que games podem ajudar em combates militares e ajudar crianças com problemas motoros. Pode ser que ela vire uma necessidade em breve. Mas até onde podemos definir, games são desejo. Por quê? Ele permite interagir, ser o quiser, viajar, ‘desligar-se’ do mundo. É a procura por alguma satisfação, não é?

É uma linha tênue com as necessidades. Nossa sociedade CORRE demais, VIVE de menos, GRITA absurdamente e mal tem um tempo para descansar. Quem trabalha finais de semana, quem vira noites, quem não tem férias? A necessidade de descanso é exigida. Por isso games podem estar em dois grupos: DESEJO E/OU NECESSIDADE.

Desejo ou necessidade? (Foto: Reprodução/Internet)
Desejo ou necessidade? (Foto: Reprodução/Internet)

Mas quando ele se transforma em NECESSIDADE? Justamente por causa disso. Antes era um passatempo. Peguei uma revista vou ler enquanto o tempo não passa mais rápido. Agora ler a revista é necessidade, senão ler, vou ficar louco. Desprendido. Na década de 90, andar de metrô era bem diferente de hoje em dia. Antes era sentar e conversar com a pessoa do lado ou ler um livro/jornal/revista ou fazer o dever de casa.

Ou ficar em pé e conversar com os amigos ou ficar calado. Atualmente sentado e em pé fica calado olhando para uma tela touch screen acessando informações a distância, fazendo reuniões, falando com os amigos, tramando contra os inimigos, marcando festas, postando fotos da última balada. Seremos seres telepáticos em breve.

Imagine se dá um apagão mundial. Como é que fica? Antes era um objeto de desejo ter um celular que fizesse-se tudo isso. Agora é uma “BENGALA”. Sem isso não sabemos puxar conversa. Quem era casca antes, virou já ostra. Quem era extrovertido, fala 2 palavras a menos. Desejo – NECESSIDADE.

Games são válvula de escape, então na verdade um DESEJO ANTES agora NECESSIDADE. Mas não só. Elas andam juntas todo o tempo.

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