Alô, Alô…dê o seu adeus ao formol!

Fui, como posso dizer, abordado por uma propaganda de e-mail marketing (Newsletter) sem ter pedido por isso (risos), que dizia a seguinte chamada – “O formol ficou no passado…“. O que é isso? Levei um susto. Estão utilizando agora formol em produtos de beleza?

Comunicação abstrata e bizarra (Foto: Reprodução/Internet)
Comunicação abstrata e bizarra (Foto: Reprodução/Internet)

O primeiro erro não é a chamada, mas incluir meu contato numa lista de produtos que não são do meu interesse é. O uso do e-mail marketing é de longa data, e utilizado de forma errada. Numa estratégia bem edificada, o retorno positivo é de 6%. Mas quando a estratégia é utilizada com qualquer pessoa dentro ou fora do grupo que se interessa pelo produto, obviamente o número diminui.

E então? A decisão por adotar o canal pode ser removida da empresa, a maioria das mesmas a utilizam de forma incorreta, por isso muitos acham que esta ferramenta esteja desvalorizada. Mas ainda é um meio de massa eficiente de nossos dias, e é uma ótima solução para mercados de nicho.

O catálogo das revendedoras Avon, Natura e similares, vem em forma de newsletter, elas vivem disso. Então não pensar junto à essa tática, é um golpe fatal.

Talvez seja ‘esperto’ fazer o disparador de e-mail enviarem 1.000 e-mails. Mas o engajamento pode ser apenas para 250 potenciais clientes. Atenta-se que a maioria dos comerciantes não entende que atingir mais, não significa um retorno maior.

O segundo erro é a chamada que é feita no produto. Sou um desentendido de produtos de beleza, óbvio por não ser um cliente da linha de produto de beleza, uma mensagem que claramente não vai me atrair ou me atingir. E será descartada por qualquer pessoa sem a curiosidade da leitura, diferente de um profissional da área de comunicação que pode intervir na forma de estudo, mas não como um cliente interessado no produto.

Estrutura equivocada da mensagem

Talvez uma pequena minoria entenda que o Marketing é sobretudo o significado acadêmico de “Mercado em movimento“, uma forma de comunicação entre interesses e desejos de quem pode oferecer e quem quer comprar. Ainda é bastante complexo para ser apenas definido como um processo de venda. Marketing é um processo de ‘desenvoltura do desejo‘.

Ao dizer que o produto age melhor que o formol, dar-se-á a impressão que a cliente é um cadáver. Que está tão acabada que só com um produto ‘bomba’ como esse além de disfarçar que não é um produto de conservação, é capaz de torna-la de múmia para Monica Bellucci. Entende que essa comunicação é para os menores efeitos, grosseira?

Como não sou um cliente de tal produto, a mensagem soou além de negativo, irrelevante. E a mensagem que passou foi de “torne-se isso, porque você é cadavérica sem ele“. Mas ao pesquisar, pude ter a notícia que formol é utilizado de forma “ilegal” por salões de beleza como noticiado aqui. Nota-se então a intenção do produto. Além de dizer ao meu ver, que ele é mais potente que o formol, quer se posicionar como um produto EFICIENTE e LEGAL (legalizado) e por conseguinte torna-se um líder de fornecimento deste produto.

Você sabe aplicar o marketing de guerrilha corretamente? (Foto: Reprodução/Internet)
Você sabe aplicar o marketing de guerrilha corretamente? (Foto: Reprodução/Internet)

Nisso consiste a má fama. Não sou o cliente habitual, peguei uma gafe do produto e abre uma possibilidade enorme para que o produto seja criticado, conhecida como demarketing em desaconselhar usarem um produto que não utiliza formol, mas existe um composto químico no produto que é um formol menos pesado, mas aceito legalmente.

A má estratégia, ou mesmo a ausência de uma, ao tentar divulgar em massa para até grupos não segmentados para o tipo de produto, poderia ter causado, senão causou em inúmeras situações, um retorno negativo. Quantas pessoas interessadas de fato foram atingidas com a ação de envio? Quantas pessoas responderam ao anúncio? Quantas irão criar artigos rebatendo a proposta? Quantos citaram a empresa?

Foi uma ação não prevista, com retornos imprevisíveis e uma garantia relativa sobre qualquer resultado. Pode ser que o número de retorno considerado positivo de 6%, retorne 1,5%. Mas pode ser bem menos. Não há certezas.

No ano em que o Big Data ganha força.

Big Data não é novo, nunca foi e nunca será. Ele tinha o nome no passado de database marketing mais conhecido como CRM. Outras suítes igualmente e ou mais poderosas como ERP e SAP, capazes de armazenar e analisar dados para possíveis tomadas de decisões.

Podemos definir o Big Data como um SAD (Sistema de apoio a decisão) que conectado com uma gerência central á todos os setores, é um banco de dados eficiente. Nota-se que a empresa ou não possui um, ou possui uma carteira de e-mails e não clientes. O que é muito confundido pelo comércio em geral.

CRM não é um cadastro de consumidores, e sim de ‘CLIENTES‘. Cria-se um relacionamento quase íntimo. Nisso consiste um Big Data. A área de vendas exige um big data para que o processo de compra seja relacional e não transacional. O varejo sobrevive de fidelização. Os conceitos de pré, durante e pós-compra fazem parte obrigatória do dia-a-dia de quem entra em contato com o comprador.

Ao receber este e-mail que apresenta um produto para um segmento feminino, possivelmente com alvo para uma certa idade que pertencente a uma regionalidade e cultura específica, não teve qualquer tratamento. Já que obviamente percebe-se que é uma empresa que coletou e-mails, e disparou para todos os lados.

Empresas bem sucedidas procuram colaboradores (Foto: Reprodução/Internet)
Empresas bem sucedidas procuram colaboradores (Foto: Reprodução/Internet)

Existe um CRM? Claro que não. Essa falsa carteira de clientes, só gera custo. Custo de envio, demora, demanda, resposta e organização. É uma empresa que se preocupa apenas com a efetivação do pagamento, não do relacionamento. A empresa mal sabe que ela precisa de uma compra contínua para sobreviver, e para isso precisa garantir o pão em tempos de recessão, inflação, crise a curto ou longo prazo e etc.

Não é a toa que esse setor de cosméticos e pequenas empresas sofram com tanto ‘turn over’ de novos players na praça. Mas então se pergunta, basta um Big Data e uma boa estratégia de comunicação para garantir sucesso? Não. Depois de tanto discutir, eu como não ‘cliente ou público alvo’, não tenho contato com o produto para atestar sua qualidade. Sem ela, não interessa qualquer ação, não vai surtir efeito.

Público alvo.

O anúncio enviado define um público alvo identificado. No final das indicações avisa que o uso é apenas profissional. Ou seja, não é para uso doméstico. Para salões de beleza. Então pergunto, por que a minha pessoa que não é deste setor e nem trabalho em uma salão de beleza, recebeu este e-mail de um fornecedor?

Nota-se inexistência de marketing, e PRESA fácil para empresas que apenas possui um diferencial de terem um departamento ou uma agência prestadora/consultora de Marketing. Philip Kotler já diz – “Faça um belo plano de Marketing e crie um relacionamento com o cliente, que não vai precisar vender o produto”.

Demasiadas empresas gastam fortunas com Marketing de forma desnecessária.

Artigos para estender o assunto.

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