Renée Mauborgne ilustra no livro “A Estratégia do Oceano Azul” (traduzida do original da Havard Business School Press Ed. 2005) que o Brasil formava uma era de ouro para criação de Oceanos Azuis, ou seja, negócios que pudessem se desenvolver no mercado brasileiro capazes de tornar a concorrência (ainda existente)  irrelevante, inclusive utilizando em harmonia á favor, as cinco forças de Michael Porter. Mas essa foi a visão americana sobre o solo pátrio, qual seria a nossa visão?

Brasileiro vê oceanos Azuis em seu próprio país? (Imagem: Reprodução)
Brasileiro vê oceanos Azuis em seu próprio país? (Imagem: Reprodução)

A interpretação do livro “A estratégia do Oceano Azul” começa logo em breve, os autores não criam rodeios na descrição do que seria um cenário perfeito para qualquer empreendedor. Não concorrer. Mas faz parte de um mercado eficiente, deter obstáculos. Alguns mais e outros menos. Nos Estados Unidos, existe uma disparidade em encontrar essas ‘oportunidades’. No Brasil não depende apenas de uma literatura rica como esta para fazer sentir e olhar, que o país é um Oceano inteiramente azul, mas possui pescadores extremamente pouco capacitados para ver isso.

No início da obra, é dado o primeiro chute a facilidade de criar um oceano azul,  em palavras sutis, não existe um cenário perfeito. E que é extremamente difícil de construir um negócio que não tenha ou reduza ao máximo os competidores do mercado. É um passatempo pesquisar sobre mercados a procura de negócios, sobretudo, os inovadores. Não há muitos no Brasil que tenha alguma diferença entre si, os que tentam algo novo, acabam por argumentarem como se estivessem nos Estados Unidos, mas a execução é da qualidade que mais conhecemos no Brasil.

As empresas que chegam mais próximos da realidade ilustrada pelos autores, são as franquias. Que tenham origem ou influência direta Norte-americana, que ainda mesmo assim, não garante que terá o mesmo progresso do vizinho do norte a longo prazo. Todavia o ponto positivo dos brasileiros, é que há uma enorme persistência em construir empreendimentos, formamos profissionais todos os anos, ao contrário do que o ‘mercado’ de trabalho cita.

O que falta não é capacitação, é pessoal interno da empresa em notar o que é capacidade, competência e função. Geralmente há uma mistura parcial ou total dessas relações. Não há qualquer preocupação de visar uma pessoa para o trabalho, as empresas falam em capital humano, mas não entendem o que significa. Há uma total perda de bons profissionais, contratação de medíocres, e o resultado não poderia ser diferente. Torna-se, no pior sentido do charme aos músicos e pintores, uma obra inacabada.

Os Oceanos Azuis no Brasil são oportunidades que o brasileiro deixa escapar, e prefere dar ao lugar ao jeitinho. Esse jeitinho não é uma forma de sustentar uma base, seja ela econômica, social, educacional e etc. A forma de levar a vida que o brasileiro leva não permite a visão estratégica. Conhecida como gambiarra, o improviso, o contorno. Que é uma solução, como uma acelerador de turbo. Você não usa o tempo todo. Apenas uma vez, e visando o objetivo do negócio.

A visão americana permite ter em mente que eles querem atingir o objetivo. Eles planejam e obtém o resultado esperado. E quando não obtém, estudam porque não obtiveram e acham formas de evitar os que o impediram e finalmente de adquirir seu santo Graal. A visão encontrada neste livro, nos abre que, a realidade brasileira sobre estudos acadêmicos onde é exaustivamente citado que a empresa deva ser voltada para o cliente, para o funcionário, apresenta um equívoco. São teorias de um mercado que não nos pertence.

E claramente a estratégia do oceano azul é uma realidade americana, baseada em seus costumes e hábitos. Mas não foge a regra, ninguém disse que o livro só serve para outros. Na atual conjuntura, nós somos os escultores da arte de aplicar e inserir estratégias de outros mercados. Baseado na própria tática do SWOT , as palavras do general francês cai como uma luva, Napoleão Bonaparte – “Transformo meus obstáculos em oportunidades“.

O Brasil não tem infraestrutura, compromisso com nenhuma esfera sociológica (Educação, saúde, social, política, tecnológica e etc), não possui visão de longo prazo, precisa de mais pessoas capacitadas dentro e fora das empresas, necessita de uma visão de educação para prática. O dia a dia nos ensina que há muitas pessoas falando demais, e fazendo de menos.

Parece óbvio que sejamos estacionários, e acostumados a receber uma matéria rica em estratégias, e artes da guerra de Sun Tzu e modelos econômicos que nos favorecem no melhor do discurso, mas não sabemos nem por onde começar para aplicar isso numa empresa, em nossas vidas.

É comum relacionarmos que graduação é um cara extremamente teórico e generalista. E o outro ‘cara’ é o da especialização que é extremamente prático. A união dos dois daria o ‘CARA’. Mas não é bem assim. Nós no baseamos em modelos estrangeiros que não batem com a nossa realidade, e ao invés de unirmos o Know-how com a cultura do país, alguns dispensam esse conhecimento por falta de recursos de pesquisa e aplicação, e outros aplicam com o famoso ‘jeito brasileiro’.

As melhores perguntas que definem o próximo passo, para começarmos a pensar sobre ‘Oceanos Azuis’ aqui, são: Qual é a situação do mercado brasileiro atual  e o que queremos alcançar?

Opinião.

Somos enriquecidos com modelos estratégicos que ora funcionam no país do lado, mas somos obrigados ou por ventura, orientados a absorver um conhecimento que ronda uma cultura, tradição, costumes totalmente diferente dos nossos. Como em nosso pequeno tempo, podemos ser hábeis a construir uma estratégia que seja no mínimo eficiente, para o longo prazo, a maior deficiência do Brasil, para aplicar o conceito que os autores W. Chan Kim e Renée Mauborgne tanto ilustram em seu livro?

Confira novidades na rede social Facebook.com/MundoPauta.

Anúncios