Contra-informação é toda informação que é contrária a verdade, podemos enquadrar neste caso, o hoax (embuste), as pulhas, os boatos, rumores. Os fatores que influenciam na criação de um boato é justamente na forma primária, na dúvida, complementa-se com a verdade. Independente da intenção, a falta de comunicação, torna um boato muita vezes inofensivo, em algo muito grave.

Da Redação.

O poder do boato (Imagem: Reprodução)
O poder do boato (Imagem: Reprodução)

A tirinha ilustrativa deste artigo (acima), narra com muito humor, como um boato nasce. A partir de uma conversa, uma pessoa pensou ter ouvido – “O zé despedido…” e disso chegou até o último correndo falando – “Todos nós seremos demitidos amanhã! E agora?“. O poder da contra-informação nasce, da falta de informação, e da persistência da falta. Mesmo circulando, diversos indivíduos, não procuram analisar e investigar pela fonte, se aquele dado é fato verídico.

Nestes últimos dias, surgiu uma informação interessante falando sobre um estudo de psicologia que enquadrava pessoas com o hábito de realizarem selfie, tirar fotos de si mesmas, concluindo que esse costume comprovava que as mesmas possuíam transtornos mentais, definindo até níveis deste mal. A primeira coisa que pensei, foi, e os experimentos? Como foram realizados? Sob quais condições? Que grupos foram analisados? Que idade, gênero, região?

Para criar veracidade, deram um nome para o grupo de pesquisa, APA (um instituto americano), o problema é que existem dois pelo menos institutos com esta sigla que significam American Psychiatry Association (que não possui nenhuma publicação sobre o tipo) e o American Psychological Association , este último possui uma publicação, que fala sobre narcisistas e comportamentos maquiavélicos, mas nada referido ao termo ‘selfie‘. Inclusive a sinopse dos livros, descrevem brevemente, os níveis citados de transtornos, apenas substituindo o narcisismo por selfie.

Todas as publicações, em formatos de livros, falam sobre o termo narcisista como uma patologia mental. Esse fato ninguém vem a discordar. Mas nenhum destas obras possuem qualquer vínculo com o termo e o comportamento de fazer ‘selfie‘. O interessante do boato é que ele tomou proporções de serem vinculados por até estudiosos que lidam com psicologia, mas não são psicólogos. E para interesses da imprensa, seria uma grande matéria para jornal como o Globo, explorar esse tipo de publicação.

O primeiro passo foi visitar os institutos para saber se era fato. Normalmente se a publicação acontece em seminários, seria necessário entrar em contato com a assessoria de imprensa das associações. Mas como os estudos de psicologia desse timbre, são vinculados em seus canais e sítios eletrônicos, não houve qualquer necessidade de entrar em contato.  Não há qualquer publicação que relacione ou cite diretamente o selfie.

Essa investigação resultou que a informação além de parcial, era descabida e mentirosa. Ela ganhou um aspecto interessante, porque nenhum dos seus leitores, indagou a publicação. E quando citei esta publicação em meu perfil pessoal, ainda teve uma reação inesperada, a interpretação foi a mesma, quando foi vinculada pelo Tecnoblog falando que a matéria é falsa, e as respostas foram incrivelmente contrárias á esse aviso, considerando verídicas.

A reeleitura desse caso nos mostra, que mesmo por alerta, somos impulsionados por reações. Ao lermos a chamada – “Selfie transtorno mental”, compilamos em nossos valores, o que acreditamos. E julgamos. Não vemos o resto. Esse comportamento foi observado nos comentários, e o perigoso, muitos atiçavam contra os sefliers, dizendo que são realmente narcisistas. Mas sob um estudo que nunca aconteceu. Como há de dizer na anedota – “Quando estamos perto da morte, falamos besteiras, quando nos salvamos, aí a morte espreita”.

Neste processo muitos se revelaram, e isso é bem mais peculiar que o próprio boato. Neste caso, acredito que muitos tenham se ‘queimado’ com alguém em gerar esta falácia. Fica a dica para todos os profissionais de comunicação. Ser rápido, ser relevante, ser factual, é um segredo. O pulo do gato, é que mesmo que ser “o primeiro” pode ser interessante, mas lembre-se, que “ser o primeiro QUEIMADO” é para sempre. Fato é fato, nada muda sobre isso.

Matéria da revista Galileu sobre comentários irracionais, ilustram bem a reação desencadeada acima.

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