O comportamento humano é curioso, volta e meia, temos um grande quadro de todas as ações que nos rodeiam de culturas que absorvemos, de atrações que entramos em contato, de pessoas que conhecemos, seja de forma pessoal ou profissional. Estamos rodeados de experiências que acontecem, terminam o tempo todo. Até um certo tempo atrás, selfie se chamava autorretrato, e não era nada demais.

Da Redação.

A moda mais forte do século 21 - Selfie (Imagem: Reprodução)
A moda mais forte do século 21 – Selfie (Imagem: Reprodução)

Selfie de Raffaello Sanzio.

Um pintor italiano, Rafael Sanzio, que marcou seu nome na história e trouxe ao expressionismo sacro uma nova forma de ganhar as paredes, monumentos e tapeçarias. Com seu trabalho arrojado, nasceu este magnífico gênio, em 1483, quando nesta época ainda o transporte era realizado de barca, diligência, montaria e a pé.  Leonardo Da Vinci, um dos membros da imaginária tríade dos formadores de ‘opinião’ daquela época, da era renascentista, ainda nem tinha formulado corretamente como o homem, poderia criar asas.

Rafael Sanzio, como outros grandes pintores, criavam seus autorretratos com maestria, e o faziam para imortalizar suas imagens, uma forma de assinar visualmente, que eles existiram. Na falta de uma tecnologia capaz de capturar seus rostos, eles tinham o objetivo de se tornaram famosos.

Transportando anos depois, no século 21, o auto retrato se denominava como uma forma de expôr a sua presença aquele lugar. Ainda no começo do século 20, em 1900-1950, a fotografia ganhou tanta força, que haviam até fraudes envolvidas. De fantasmas inseridos de forma proposital ou não. O autorretrato sempre foi um tema comum entre os fotógrafos e pintores. A bela arte era criar uma arte de si mesmo, parece egocêntrico? Pasmem, mas o ser humano consome para embelezar a si mesmo e se destacar no mundo, torna-se o centro dele em outras palavras, o comportamento egocêntrico não parece ser uma situação incomum agora.

Pelo sentido pejorativo, o ego inflamado pode ser egocentrismo, mas não necessariamente negativo. O orgulho de almejar e atingir um objetivo, é nos oferecido na forma de felicidade. Quem nunca, ao ganhar algo, tirou foto e expôs aos amigos? Na era da rede social, nada mais do que o comum se tornar ‘público’. Nada há de estranho na auto valorização, ela acontece há séculos e sob formas diferentes.

A diferença é que éramos ‘ignorantes’ á estas formas, porque não nos eram dispostos maneiras de saber, como os atuais veículos de comunicação. E o século 21 nos trouxe uma outra forma de gerar conteúdo, e deu mais força e possibilidades de criar este valor do ego. Nada mais sensato modificar um pouco a forma de escrever o autorretrato para selfie. Do inglês, que vem do self (si) uma notação prática do massageamento do ego, que não é incomum e tão pouco novo.

O pintor Italiano há quase 500 anos, fazia selfie. E para isso usou dos pincéis para trazer á tela a beleza que ele detinha de si mesmo. Rafael não lidava com a beleza natural que lhe dizia em vida, mas em sua ‘grand’ imaginação, trazer á tela o que lhe mais interessava, era o seu primeiro ego transformado. Atualmente usamos photoshop, e técnicas de fotografia para dar o nosso melhor ângulo.

Tendência pelo marketing.

A história nunca cria algo totalmente novo, nós somos do bordão – “Tudo se copia, nada se cria”. Ao analisar nossa cronologia, notamos que existem fatos que se repetem sob outra roupagem, e criam as mesmas situações que há 1.000 anos fizeram impérios caíram, e hoje ganham um aspecto mais inofensivo, mas criam os mesmos resultados. Os pintores, artistas, escultores, escrivães, juízes, soldados, lavadeiras dos séculos passados usavam de outras ferramentas, de outras especialidades para obter seus objetivos.

Atualmente, as coisas podem ter mudado, mas a aparência do que o conteúdo. Ainda vivemos no mesmo cerco de raciocínio. Apesar de toda nossa tecnologia (computacional e recursos), somos ainda reféns das guerras, das intrigas, dos desentendimentos, das relações, temos o mesmo comportamento. Talvez em parte sim, e em parte não. Nada também fica estagnado no mesmo estado, ainda mais, após tantas mudanças que sofremos.

O comportamento que nos caracteriza, que forma nosso perfil e nos oferece a forma que os outros nos veem. Também sofre com o tempo, e ganha forma e força a medida que entramos em contato com certas ferramentas. O homem da caverna ao descobrir o fogo, começou a ver a vida de uma forma diferente. Ele não só descobriu um fenômeno para ele desconhecido, como passou a ter facilidade em espantar os animais e iluminar cavernas extremamente escuras. Ele pode explorar mais, e descobrir mais não é?

Não é novidade que nós seres humanos queremos nos sentir a atenção de todos, o centro do mundo, o cara. E tudo que nos rodeia, enaltece nossa posição. Por que comprar uma roupa?Par de calçados?Aquela mochila? Aquele carro? Morar naquele bairro? Nosso passado constrói no presente, como nós nos vemos. A nós mesmos. Estamos sempre querendo personalizar. Querer ter presença, é autoafirmar naquele tempo e/ou lugar.

O estudo do marketing analisa que o Selfie ganhou proporções realmente enormes, mas nada que assuste a comunidade cientifica e psicológica. A antropologia, o estudo o homem, caracteriza-nos como parte de um todo, mas nos nos caracterizamos como um todo de uma parte. Se lhe irrita o fato de alguém tirar selfie, imagine que esse comportamento é um dos milhares, que todos nós possuímos de alguma outra forma.

Expresso em monumentos, em prédios, em quadros. Nós somos os maiores “selfiers” da face da terra.

Anúncios