Aeronave de combate japonês que participou do ataque de Pearl Harbor.

Plastimodelismo é uma atividade de montagem manual ou artesanal de miniaturas réplicas produzidas por diversas empresas ao redor do mundo, algumas delas como a Revell, Heller, Airfix, Tamiya, e entre outras. Cada qual especializada em uma modalidade, elevando-se o nível de detalhes das peças. Todos os fabricantes possuem materiais próprios como tintas, pincéis, colas, peças, modelos, especializações e níveis (Básico ao avançado).

Avião de combate Mitsubishi A6m2b modelo 21 'Zero' de 1941 (Foto: Rafael Junqueira / Mundo Pauta)
Avião de combate Mitsubishi A6m2b modelo 21 ‘Zero’ de 1941 (Foto: Rafael Junqueira / Mundo Pauta)

Este modelo tem ao todo 47 peças, uma montagem feita a mão do zero literalmente. Um trabalho artesanal há muito perdido, mas que revigora. Até porque o teste para experimentar o entusiasmo pela arte, me enriqueceu com ideias que deram gás para temas de dois livros, aos quais estou em ambos na página 30, e inclusive meu TCC em Marketing.

Acho que estamos com falta de trabalhos que exigem habilidade manual, e pouco menos de automatismo. Não há ‘cheats’. O trabalho acima foi preciso ser realizado sem modeladores 3D ou técnicas de Photoshop. Pinturas, colagem, adesivagem, técnicas que acabei aprendendo utilizando em parte as referências do vendedor na hora e da internet, e a outra parte, por intuição.

Plastimodelismo exige sobretudo paciência, concentração, disciplina e destreza. Também exige em soluções. Dependendo do fabricante, ele pode produzir peças que dificultam sem uma ferramenta especial. E neste caso, como estava desprovido de quase todo um material essencial, como pinça, lixa para plástico, improvisei. E tomei algumas ‘decisões’ de incluir algumas peças e adicionar materiais fora da bandeja do produto para adquirir o resultado final.

Peças planificadas e desmontadas (Foto: Rafael Junqueira / Mundo Pauta)
Peças planificadas e desmontadas (Foto: Rafael Junqueira / Mundo Pauta)

A fabricante Airfix especializada em modelos de aeronaves, disponibilizou este modelo que é um exemplar de nível básico (detalhe que o básico deles, é bastante avançado), a diferença é que quanto for maior o nível, o número de peças aumenta e o nível de detalhes também. Pensava que precisaria só pintar e encaixar. Fiquei surpreso ao abrir a caixa, e dá de cara com este nível ‘básico’, mas comprei a proposta. Demorei cerca de cinco dias para finaliza-lo.

Neste período aprendi algumas lições.

  • Água com cloro coalha a tinta
  • Não precisa de água quente para marinar os adesivos
  • Utilize uma pinça, faz diferença
  • Evite que as cerdas do pincel fiquem expostas a tinta acrílica, ela resseca a ponto de endurece-la
  • Para umedecer novamente, utilize um tanto de água, limpe com papel, e o faça até tirar o excesso
  • Use água destilada de farmácia para evitar o coalhar
  • Use a lixa para moldar as arestas da peça, mas evite encostar na superfície, deixa quase tudo poroso
  • É bom usar uma lupa para partes pequenas
  • Com a cola Humbrol, deixe a uma corrente de ar e ligue o ventilador. O cheiro é forte para cacilda.
  • Prefira tinta acrílica do que latex. A primeira permite lavagem com água com o modelo e o brilho é bem natural e real. O segundo apenas com pano, e o efeito é artificial e fosco.
  • Apesar do pincel fino, é preferível um pincel maior para uma passada, e no mesmo sentido. Para evitar tons diferentes de cor sobre a carroceria
  • Pensar fora da caixa, e não se prender no manual é uma tática sábia
Blueprint e Caixa do modelo Airfix (Foto: Rafael Junqueira / Mundo Pauta)
Blueprint e Caixa do modelo Airfix (Foto: Rafael Junqueira / Mundo Pauta)

Havia um momento da turbina que deu dor de cabeça, de forma alguma o motor e rotor encaixava no espaço interno e no bico da aeronave. Li em alguns fóruns, e alguns profissionais haviam dito que modelos que prezam por níveis mais baixos de complexidade, e detalhes, não trabalham direitamente com os encaixes. Não são kits baratos, se for especular. Comprovei isso na hora de fazer a coisa funcionar.

Pensei, tentei encaixar, tirei, coloquei mais cola. Tive que ficar repintando a parte descolada. Até que conclui. Este rotor não vai conectar o bico nunca com o corpo extensor (parte negra do bico). Então removi parte do roto, deixei apenas a parte do motor que prende a hélice. Substitui o corpo interno para fazer conexão com o bico, porque precisava de algo para prender uma parte á outra, um chumaço de algodão. Isso mesmo que você leu.

Algodão é uma material que combina muito bem com a cola Humbrol. Basta cerca de 5 segundos para qualquer coisa colar nela. E o algodão cola como se fosse doce. Então aparei o tamanho do algodão, para conectar o motor com o bico. Passei cola, e pressionei ao avião. Fechou, E mais, não tem como você ver o algodão.

Outro ponto que removi da versão final, foram os trens de pouso. O projeto (manual) havia considerado um mecanismo capaz de recolher o trem de pousou ou deixa-lo armado. Mas o modelo não é tão complexo assim que o permita. Então interpretei que era preciso refazer parte da estrutura inferior, no ventre, da aeronave. Como o trem de pouso também não era nada que fosse aguentar o avião, o dispensei, ainda estou pensando em colocar um suporte baixo-ventre para suspendê-lo no ar, uns 10 cm.

Modelo Conceitual da aeronave Japonesa (Foto: Reprodução)
Modelo Conceitual da aeronave Japonesa (Foto: Reprodução)

Dependendo da pintura, e combinação presente no fabricante ou mesmo por experiência do montador, experimenta-se adesivagem para simular os componentes metálicos, parafusos, ferrugens, sujeiras e contornos de dobras e placas. O modelo da aeronave estava em escala 1:72 com o tamanho de 126 mm de comprimento e 166 de envergadura (largura + asas laterais dianteiras).

A escala lê-se da seguinte forma, a proporção para 1 em 72, significa que se você colocar este modelo enfileirado 72 vezes, dará o tamanho da aeronave real.  (Ref: 1000 mm – 1 metro)

Comprimento real: 0,126 m x 72 => 9 metros e 72 centímetros.

Largura: 0,166 x 72 => 11 metros

Esta aeronave foi utilizada por soldados japoneses na campanha que obrigou o ingresso dos Estados Unidos na segunda guerra mundial. Em 7 de dezembro de 1941, decolando do porta aviões Akagi. Com a numeração de A6M2b (modelo 21) Zero. Está exposto no Museu nacional  Natural e Cientifico Japonês um exemplar – http://www.kahaku.go.jp/english/

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