Em 1944 a comunicação era mais simples e rica do que agora. Concorda?

Uma pergunta um pouco difícil para responder. Mas você pode ter a solução em minutos. Escolha um filme de sua safra favorita dos títulos antigos, algo que retome a partir e para trás da década de 80. E falo de filmes de 1982. Esses filmes são em particular, uma obra, se assemelham muito com a ideia de ler um livro, onde você interpreta, imagina, supõe e conclui. Parece interessante? Talvez seja melhor experimentar, a sua conclusão pode ser muito diferente da minha. Lanço esse desafio, caro leitor(a), aceite como um estopim para entender o nosso mundo atual.

PREPARE-SE esse artigo é uma afronta á VOCÊ e sua realidade baseada em COMUNICAÇÃO SOCIAL.

Cena de "Dr. Fantástico" (1964)
Cena de “Dr. Fantástico” (1964)

Filmes antigos. O que trazem de tão rico, que poderiam explicar, ou mesmo, refutar que nossa comunicação atual esteja perto de ser simples? Durante 20 minutos de um filme atual, você tem 60 coisas acontecendo ao mesmo tempo, não é mesmo? Metade você não entende porque aconteceu, e a outra metade você pensa que entendeu. E mais, todas as 60 situações são itens que podem ser explicados, mas você precisa consultar fontes diretas e indiretas.

Você demora muito para entender. Senão, não entende. Apenas sente. E perde-se conteúdo. Mas não vamos ser injustos. Muitos filmes também conservam o miolo da questão. Mas qual é então, a questão? Nossa comunicação. Nossa forma de falar e expressar.  As empresas em sua grande maioria, não falam o que pensam, e não pensam o que falam. É uma confusão. Na verdade, somos exaustivamente inundados com informações ás vezes úteis e inúteis.

Esses dias estou ‘tentando’ escrever meu TCC. E sabe, não consigo escrever uma linha sequer. Não é por falta de literatura. Sou capaz de escrever um livro de romance, escrever 30 páginas seguidas. E possuem forma, tem que ter começo, meio e fim. Precisam de lógica. Tem personagens, tem fatos, clímax e solução. São até mais complexos. Se você for um escritor verídico, trará as páginas, o fato. E dele a fonte, daí sua conclusão. Mas por que um artigo cientifico nos deixa pirados?

Parte dessa piração vem do enorme fluxo de informação que temos, apesar dos avanços da tecnologia, não TEMOS ferramentas sensoriais que nos permitam organizar esse fluxo, e torna-lo mais diluído. Em 1950, a informação que circulava no mundo era menor, tenho quase certeza, que a informação que circula no seu computador. Exagero? Não tenha tanta certeza assim.

Cena clássica do Planet of Apes (1968)
Cena clássica do Planet of Apes (1968)

Um bloqueio mental. Quem não sofre disso? Alguém sofria disso no passado?Sim, mas vivemos num mundo um pouquinho diferente. Agora temos em mão acessibilidade. Se você nunca esteve num país estrangeiro, hoje, não é um problema tão ruim. Você pode ter um amigo em outro pais, pedir para lhe passar fotos e fatos, estará inteirado. No passado, só viajando.

Vivemos sem territórios na internet, a rede. A Matrix para alguns…sim. Recorri á métodos antigos para recobrar um pouco da criatividade, que estou observando minguar a cada segundo. Tanto na leitura, na escrita como em trabalhos artesanais (plastimodelismo), abordo que a nossa comunicação sofre de overdose de informação. Quando você está criando uma ideia de escrever um livro, já passou pela cabeça, o lançamento dele daqui á 9 meses. Mas você nem começou a escrevê-lo.

Privar-se de certas tecnologias, e sentidos, nos permite através da dificuldade oferecer ‘superação’. Ou seja alternativas através de soluções. Por que um brinquedo nos anos 80 era genial? Porque não havia um computador que substituía mecanismos para fazer uma cachorro de pelúcia mover as batas ao bater palmas. Tive um desses.

Incrível? Mas era brinquedos realmente bons. Existe ainda brinquedos tradicionais, ainda existe tabuleiros, jogos de mesa. Mas uma migração enorme para sistemas automatizados tem acontecido nos últimos anos.  E o desejo de fazer um mecanismo é notável no ser humano. Mas sem a necessidade de usar as mãos e os pés para gerar um efeito desses, apenas absorto pelo computador, o que acontece?Atrofia.

Cena da Noviça Rebelde (1965)
Cena da Noviça Rebelde (1965)

Você tem um computador, o Google (risos), tem um sistema que lhe oferece mapas, enciclopédias, bibliotecas, salas de discussão, fóruns, artigos, tudo em suas mãos. É fácil. Você não se locomove para nada. Á uma mesa de computador, a sua conexão máxima, é de fazer o cérebro enviar aos dedos que ele deve digitar para achar uma solução para seu artigo ou seja o que for.

Nossa memória é atingida com surtos de esquecimento. Temos a facilidade de favoritar, não é? Quantas vezes tiramos fotos de uma informação na rua para lermos depois?É muita informação. Em média acessamos 40 sites por hora, e desses lemos centenas de informações, que por sua vez possuem centenas de outras informações separadas em dados objetivos (a leitura que sê lê) e subjetivos (interpretação e ponto de vista pessoal).

Quantos assuntos em uma hora você lida? Quantos assuntos em um dia? Imagina que em um ano você já visitou virtualmente uns 100 países, traduziu 50 línguas e absorveu parte do conteúdo para destacar em algum lugar da sua vida. Seja escrever em um blog, pegar aquela frase da Marie Curie e colocar no final de um texto com toda moral política que você queria dar. Mas conseguimos aprender algo com isso?

Estamos sem foco. E isso está se tornando um problema sério. Se virmos os filmes atuais e compararmos com os antigos. Vamos notar uma quantidade de informação que nos ataca, e quase todas são subjetivas. Na maioria das vezes, podemos entender que nossa cultura atual sofreu uma diversificação. Mas se formos pesquisar, em 100 anos, muita coisa mudou.

Cena da "A mosca da Cabeça branca" (1965)
Cena da “A mosca da Cabeça branca” (1965)

Está cansado(a)? Leia este artigo em partes. A história de nossa comunicação truncada é muito maior que esse blog pode comportar. Esse é um resumo de toda essa complicação. Nota-se que esse automatismo que vivemos é em parte por causa de nossa adaptabilidade aos computadores? Sim, outro dia li sobre “Tecno espécie”, que somos nós, somos assimiladores (que nem os Borgs), mas diferentes deles, não raciocinamos com a lógica, e sim a com emoção. Portanto, nos acomodamos. Deixamos a máquina pensar por nós.

Aliás, ele pensa por nós. Mas não DECIDE. Daí o problema.

A comunicação nas empresas é influenciada pelo volume enorme de informação. Muita informação, pouca comunicação. Quando acontece é superficial e pouca clara. É complicada e dúbia, senão múltipla em interpretação. É complicado se pensarmos assim, independente de análise comparativa, por isso citei os filmes. Compare os antigos com os novos. E tome pela forma, conteúdo e interpretação.

Os filmes dos anos 40, retratam muito o Cabaré, burlesque, a guerra e o épico. Todos eles assumem a interpretação do conteúdo. A forma era basicamente a interpretação corporal. A câmera em close da face, o close de cena, descrição visual. No máximo um show pirotécnico, mas um show bem pequeno e segundo plano. Porque o interesse era o diálogo. Quase queria dizer guerra, era guerra. E não outra coisa qualquer.

O quão seria chato ver um filme como “Dr. Fantástico” onde o diálogo da sala oval dura 1:50 de um filme de 2:00? Na verdade, objetivo. Porque a ação é baseado na guerra fria. E Guerra fria não houve um passo armamentista, na verdade, havia troca de farpas entre chefes de estados atrás de mesas empilhadas de papéis atrasados. A crise de Cuba foi a maior ação que chegou perto de um conflito. Fora isso, era tudo em salas mesmo.

Atualmente a guerra fria conta com X-men. Brincadeira…gostei do filme. Mas é uma comunicação exagerada, utópica, distópica, steampunk, cyberpunk. Não que isso seja bom, apenas torna tudo muito confuso, porque nos tornamos parte de um canal que nos permite, sem regras de proibição, acesso á tudo. Ficamos a mercê de um poder de informação sem igual. Imagine isso na segunda guerra mundial? Será que ela teria terminado em 1945? Aliás você poderia avisar Hitler por WhatsApp que as tropas iam executar a campanha D.

Cena da prisão na China de Lucy (2014)
Cena da prisão na China de Lucy (2014)

O filme que bate na tecla de complexidade é o…Matrix. Depois vem outro que implica mais…Lucy. São coletâneas de uma reflexão antropológica e a evolução hipotética do ser humano á um novo passo, desconhecido, caso acessamos nossas capacidades em níveis acima da média ou vivamos em uma realidade alternativa e apocaliptíca. No passado havia sempre uma explicação direta – DNA ATIVADO => EVOLUÇÃO. No filme uma droga com nome bizarro promove a evolução. Mas atualmente já temos o GENOMA mapeado, não podíamos ter sido mais simples na explicação durante o filme?

A narração é complexa, o desfecho repentino irritou muita gente. Mas essa é a característica dos filmes atuais. A maioria não irrita…porque PROMETE contar tudinho no final do ano, numa sequência. Já pensou na ira que foi os fãs quando no X-Men 3, todo mundo praticamente morreu? Depois reviveram a galera toda. Pois é, cadê os irados agora? Vivemos numa época de remakes. Vivemos realmente nesta época. Mata, ressuscita. E mata de novo, e ressuscita de novo.

Estamos vivendo um reboot na verdade. Acho que literalmente estamos colocando um CD de reinicialização. O bordão – “Nada se cria, tudo se copia” ou as teclas mágicas CTRL-C\V estão fazendo parte da vida orgânica. Mas tire o cavalinho da chuva, no passado se copiava direto. Na verdade boa parte das películas eram cópias ou traduções alternativas de outras produções. Boa parte dos filmes eram versões cinematográficas de peças de teatro. O que não entrava nesta condição, virava relato histórico.

Essa de originalidade, até a galera antiga era MESTRE em copiar. Mas parece que eles não sofriam do nosso mal. Hoje temos clones dos clones dos clones…TILT. É estamos vivendo uma época de repetição massiva. Estamos sofrendo um tilt mental. E se esse texto se prolongar, meu caro leitor, você e eu vamos sofrer com Deja vú em breve (risos). Espero que a leitura tenha sido bem aproveitada. E siga algumas pequenas dicas, não precisa adotar uma vida Amish, mas é por aí (uma adaptação).

  • Faça trabalhos artesanais (Carpintaria, pintura, artes plásticas, desenhos, plastimodelismo)
  • Escritura manual
  • Livros
  • Toque algum instrumento
  • Veja filmes antigos

À bientôt, bon vivant!!!!

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