De forma notória o japonês Shigeru Myamoto se tornou um ícone, quase representativo da empresa de entretenimento Nintendo, quando ficou conhecido apenas por um único jogo em sua carreira, a Lenda de Zelda, simplesmente por saber cativar as massas de jogadores ao redor do globo com uma história simples oferecendo uma aventura única.

Nenhum segmento de mercado sobrevive sem ideias, vivemos talvez numa época saturada delas, e acabamos por descartar a visão teórica do reconstrutivismo, que segundo Joseph Schumpeter citado no livro ‘A estratégia do Oceano Azul’ (KIM, W.C; MAUBORGNE, R, p. 207) a inovação pode ocorrer dentro do sistema. Uma vez que os cenários da economia são construídos com variáveis e controlados por elas, muitas sem o nosso poder de decisão.

É comum que estejamos realizando um trabalho, e descobrir que muitos de seus detalhes, quer sejam inéditos, caem por terra, quando há uma antologia por detrás daquilo. Numa breve pesquisa, entendemos ou assim pensamos, que a criatividade chegou no seu máximo limite.

Costumamos nestes casos aliar ansiedade com perda massiva de ideias, no entanto segundo Ryan (2006, p. 55-57) a paciência pode ser um importante dom quando se quer tirar “leite de pedra” ao narrar a história de uma mulher chamada Mary Beth que ao ficar desempregada, mãe de três filhos, substitui o pensamento de ‘planejar’ o que se espera, e fazer o que não se espera. Ter receptividade.

Define-se como receptivo, o indivíduo que sem lutar, sem resistir, passa a compreender as ações ao seu redor, e em muitos casos, a aceita-las. De nada adiantaria se desesperar diante da situação que Mary Beth se encontrava. A história gerou um ‘final’ feliz. O poder da paciência, da neutralidade, cessar o SPA (Síndrome do pensamento acelerado) segundo Cury (2013) foi a chave do sucesso.

A criatividade não é um diálogo pronto, resume-se que estes estudiosos, identificaram que em nossa época, o pedido imediato de resultados gera bloqueios. Não somos capazes, a longo prazo, de sustentar o futuro sob pressão. Não há ideias borbulhantes que resistam até a superfície. Nisso consiste a impressão natural de escassez do brilhantismo industrial.

Vivemos, ao fazer uso da palavra e teoricamente citar – uma revolução midiática inventiva, onde vivemos ‘bêbados’ de informação, pouca produção e muita demanda. A criatividade não se desenvolve em ambientes estressados, nem sob pressão. A analogia de extrair diamante do carvão pode parecer uma carochinha, mas não representa a pedra fundamental do inventor.

Confunde-se no entanto com a superação. Na tentativa de contornar um problema, muitas pessoas são capazes de gerar alternativas muitas vezes geniosas. Neste ponto, podemos então identificar que existe mais ‘gênios’ do que podemos contar. No comércio é natural que haja ‘gambiarras’ para conseguir tornar um produto destaque. Por outro lado, fica prejudicado qualquer ação a longo prazo de criação, apenas temos a sensação de viver uma eterna construção de ‘anexos’.

Sublinha-se muitos autores e pesquisadores de Marketing, verdadeiros promotores das boas novas no campo de criação, tais como Philip Kotler que uniu a economia a visão humana de desenvolvimento com o Marketing, sempre citando sua visão do marketing social como parte de um movimento de aperfeiçoamento do capital humano.

A prática da criação, do comportamento criativo torna-se dispensável numa sociedade que prima pelo resultado imediato, para ‘ontem’, com a meta priori de atingir a féria do dia. Não obstante deixemos de lado a necessidade desse pensamento. Mas a criatividade não é uma atividade de curto prazo, e nunca será, não pode ser exigida a todo tempo. Ela precisa ser trabalhada, e nos enganamos que ‘criar’ soluções sejam parte do conjunto completo do indivíduo inventor, na verdade são apenas ‘correções’ do dia-a-dia. Pense que nosso mercado está querendo criar um ‘Google’ para tudo e todo o tempo, desta forma, estamos sendo no mínimo surrealistas em demasia.

Autor: Rafael Junqueira.

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REFERÊNCIAS.

KIM, W.C; MAUBORGNE, R. A estratégia do oceano azul: como criar novos mercados e tornar a concorrência irrelevante. Campus: Rio de Janeiro. 2005. Edição: 1ª.

RYAN, M.J. O poder da paciência: como diminuir a pressa e ter mais felicidade, sucesso e paz no seu dia-a-dia. Sextante: Rio de Janeiro. 2003. Edição: 1ª.

CURY, A. Ansiedade: como enfrentar o mal do século. Editora Saraiva: 2013. Edição: 1ª.

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