Por uma certa ocasião ouvi um diálogo muito interessante numa loja X que presenteio aos meus leitores o teor da mesma, tratava-se de um empresário que promovia um negócio envolvendo jogos eletrônicos para os consoles PS3, PS4, Xbox 360, Xbox One, Wii, Wii U e PS Vita. A conclusão daquela fala mais notória me deixou boquiaberto – “O mercado de games está muito difícil, é preciso comprar o lote com a quantidade exata, senão fim de papo”.

Linneman e Stanton (1993, p. 6) afirmam que “o marketing de massa podemos fazer todo tipo de suposições. Mas quando estamos em busca dos nichos, precisamos ter informações”. Os games são parte de um todo como se falava nas poesias barrocas, tanto na literatura brasileira como nas palavras dos autores, nicho não é um tipo de mercado trivial. O empresário com certeza subestimou o poder de público que tinha.

Pensar que games é brincadeira de criança ainda sim é um risco. Estamos no mês de novembro, mas no primeiro semestre de 2014, o personagem que dava asas a imaginação, pintava o sete da criançada, era a famosa Galinha Pintadinha. Era bonecos de pelúcia, livros, tablet, eventos, artistas fantasiados. Galinha azul para todos os lados. De uns tempos para cá, uma nova personagem, Peppa a porca. Vê-se uma sombra do antigo personagem, outro dia vi uma criança de 4-5 anos segundo um boneco da galinha bem escuro de sujo no colo.

Games é um assunto sério, e não está com dificuldade no Brasil como o empresário afirmou. Na verdade, está em franca expansão. Há públicos potenciais, sim, e há também possibilidade de segmentar mais ainda estes públicos. O fenômeno Cosplay que posso parafrasear como ‘in-game for out-game’ cresce a cada ano. Pequenos grupos promovem feiras de dubladores, exposições e torneios de jogos. Com certeza falta nesta afirmação um quê de ausência de marketing.

Um dos pontos de meu trabalho de monografia em razão de minha especialização (Pós-graduação\Lato Sensu\MBA) em Marketing foi de responder a pergunta primordial – “Quais ações de marketing são aplicáveis ao mercado de nicho?”. E presenciamos empresas que ainda possuem ausência de um ‘departamento de marketing’, o menor que seja. A aposta dessas empresas é que games todos gostam.

A última afirmação é interessante, porém bombástica. Games deixou de ser mercado de massa há muito tempo. Inclusive, bem antes de se tornar popular. Uma vez que sofria do preconceito de ser um objeto de brincadeira, e não de estimulação ou incentivo a educação, atualmente, games era uma escória para deixar jovens impossibilitados de pensar por si mesmos e realizarem exercícios físicos.

Quando as empresas pensam que games é um assunto de criança ou jovem, nota-se que existe um comportamento equivocado. Games não é sinônimo de brinquedo. Na verdade, o público atual, é o mesmo que cresceu com Star Fox de 1995. É o mesmo que viu o primeiro sinal pixelizado na tela oriundo do Atari. É um público com uma média de 30-35 anos. A grande outra parte do público, a mais jovem, dedica-se ao jogo multiplayer, que não é tão difícil de identificar.

Então qual é a dificuldade que o empresário falava? Ao citar Mecenas, quis ilustrar o trabalho árduo da aposta ás cegas das empresas, não há seca, não há semente sem fruto. Na verdade a visão é Mecenas, e não o produto. Mecenato era uma atividade de identificação para financiar artes. Investimento de reforma, reestruturação, exposição de arte e etc. Durante a história mecenas foi atribuído a uma tarefa ‘incrivelmente’ colossal, como os 12 de trabalhos de Hércules, inclusive, por apenas ele realizado.

Ao dispensaram o marketing, a pesquisa do mercado, a entender que é o seu consumidor, a potencializar suas chances, estas empresas julgaram que o objeto, games, era uma brincadeira, que todos gostam dela. E recaem na gafe diária ao que ouço. O mercado de games está difícil. Talvez a afirmação fosse mais justa para o campo de produção, de consumo, nunca esteve nos seus melhores anos.

Autor: Rafael Junqueira

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REFERÊNCIAS.

JUNQUEIRA, R.  Identificação das ações de marketing de serviço aplicadas ao público alvo masculino no segmento de beleza na Red Salon Homem Tijuca. Trabalho de conclusão de MBA pela Universidade Veiga de Almeida. 2014.

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