O fenômeno Cauda Longa de Jogos Vorazes.

O sucesso de Jogos Vorazes trouxe á tona o thriller japonês Battle Royal (Foto: Edição)
O sucesso de Jogos Vorazes trouxe á tona o thriller japonês Battle Royal (Foto: Edição)

No ano de 1999, há 15 anos, era lançado em formato de livro por Koushun Takami, que depois fora adaptado para o estilo mangá e para um filme lançado no ano de 2000, possuindo uma sequência. No Brasil o livro, previsto com até 15 tomos, começou a ser comercializado entre 2006-2007. Depois disso, com edições incompletas, o hiato da obra no país ficou evidente até 2011 (época de lançamento do filme Jogos Vorazes), a editora Conrad responsável pela distribuição no Brasil fez o lançamento do tomo 13 e o último, o 15.

Suzanne Collins foi acusada de plágio de sua obra pela ação e terror japonesa, mas foram concluídas que a história apesar de semelhante, possuía inúmeros símbolos e detalhes, e mesmo características que fez de Jogos Vorazes uma obra totalmente independente de qualquer influência de Battle Royal. Enquanto o primeiro fala de um governo totalitário originado de uma guerra nos Estados Unidos há muito tempo, e que havia questões políticas muito enraizadas, o terror Japonês, apenas envolvia um grupo de jovens de escolas locais para uma batalha mortal, quase equiparado a Jogos Mortais, a única diferença é que Jig Saw tinha um motivo, louco, mas tinha.

Sua pergunta é, porque o livro de Takami ganhou notoriedade após 15 anos, e mais, sabemos que as pessoas que gostam da obra nipônica fazem parte de um seleto grupo que gostam especificamente de livros, cultural japonesa e películas que abordam os temas ‘picantes’ de Quentin Tarantino. O que pode ser entendido como “Produtos UP Selling e Cross Selling” é também conhecido como o efeito Cauda Longa. No entanto, o que vem a ser Cauda Longa?

Cauda Longa.

O conceito não é novo, a palavra é. Desde que conhecemos por gente, nunca na história soubemos de um caso que algo deixou de ofuscar um outro ‘algo’ que podia ser vendido junto. Será que o conceito “Romeu e Julieta” para Queijo e Goiabada poderia nos ensinar alguma coisa? Talvez o termo “Venda casada” signifique algo mais. No entanto o efeito Cauda Longa possui suas raízes na afetividade e empatia, mais do que ‘empurrar’ uma venda goela abaixo.

Quando estamos interessados em algum assunto, é interessante oferecer outros pontos de vista. Na questão de produtos, se tomarmos como ponto de partida para entender o que é Cauda Longa, na época que foi datado um novo e fatídico final de mundo, o último em 21 de dezembro de 2012, pelo menos 2 anos antes haviam entre filmes e livros, milhares de versões de como o planeta viria a acabar. A profecia complexa contava com até várias etapas, sites surgiram, livros, o famoso filme de 2012, o cartaz de Cristo desabando no mar no nível dos pés do monumento. O que não faltou foi viral.

Nas prateleiras os outros finais de mundo voltaram a ativa. Mas tivemos um ápice desse bombardeamento de produtos com várias semelhanças. O que podemos chamar de produto HIT. O boato de uma profecia Maia que falava sobre o final do Mundo. O resto foi um efeito cascata, sim podemos entender a Cauda exatamente como um efeito cascata.

Battle Royal por ‘Chris Anderson’

O autor escreveu o livro “A Cauda Longa – a nova dinâmica de marketing e vendas: como lucrar com a fragmentação de mercados” e trata justamente de produtos como Michael Jackson e seus covers. Naturalmente produzir um HIT demanda um investimento incrivelmente enorme, e para mantê-lo nas paradas de sucesso, devido a enorme raridade que possui, pode ser um trabalho árduo.

Quem não se lembra de Senhor dos Anéis? Desde de 2001 para se manter nas prateleiras, era lançados versões com feattures em DVDs, mapas de Mordor, livros edições especiais.  Há mais de 10 anos, foi até relançado o DVD animação feito em 1975 que contava a Sociedade do Anel até as Duas Torres, mas foi descontinuado. Quando Hobbit foi anunciado, pelo menos uns 3 anos antes da “Aventura Inesperada”, já rodava o globo as crônicas de Bilbo Bolseiro em formato de livro, ilustração e um título de jogo eletrônico.

Na época de Senhor dos Anéis, Hobbit não era um HIT, era parte do mercado de nicho, apenas os fãs da obra literária, tinham interesse por este universo. Para eles, devorar o livro em todas as partes, é que fazia parte e unicamente exclusiva dos verdadeiros fãs. Mas quando Hobbit saiu do ‘universo expandido’, e deu graças no ar, a franquia voltou com tudo novamente, sendo lançado inclusive “Shadow of Mordor”, lançamentos pelo Lego da antiga trilogia e a nova.

Battle Royal não passava perto de qualquer evidência, que existia, mas para os fãs de terror e ação japoneses, não devia faltar esse livro, mangá e filme na prateleira. Para quantos filmes existe a cultura francesa? Se perguntarmos quantas pessoas flertam com os romances franceses apenas em seu bairro, pode se surpreender. Outros filmes que já vinham a mente ao falar de Jogos Vorazes, era o famoso e clássico, O Sobrevivente com Arnold Schwarzenneger de 1980, inclusive com uma história BASTANTE igual.

A proximidade da trama ultrapassa em todos os sentidos o Battle Royal, mas a garantia da venda na polêmica de plágio, trouxe aos ávidos leitores o que comparar. Se tem uma coisa que o mercado entende, é do conflito básico – “O meu é original e pronto” não faltará defensores, desde dos que não compram a obra por acharem uma ofensa e aos quais irão comprar apenas pela contrariedade, o bordão resume tudo – “Falem mal, ou bem, mas falem de mim”.

Cauda Longa atinge Hit e gera Hit também.

Nos últimos tempos a aposta em romances e suspenses, ficção inclusive para o público Teen, onde a protagonista é uma mulher também ganhou força. De Crepúsculo, Divergente, Hospedeira, A dezesseis Luas, Jogos Vorazes, Maze Runners, Percy Jackson. Aos dramas envolvendo a trágica perda vai para “A culpa é das estrelas”, “Se eu ficar”, “A menina que roubava livros” e “Agora e para sempre”. Sempre cada uma dessas obras, existe um HIT inicial, os demais podem virar Cauda, como é o caso do Battle Royal, ou outro Hit.

Após as obras “Cinquenta tons de cinza”, até o anúncio de um suposto filme, surgiram inúmeras obras que atentam pelo mesmo tema, menos conhecidas. Mas para os consumidores, o PDV (Ponto de Venda\Vitrines\Ilhas) não é difícil achar esses produtos da Cauda.

Conclusão.

O fenômeno da Cauda Longa apesar de bem conhecido, ainda é um recurso de vantagem do Marketing mais do que da simples venda de “Push”. Se a teoria é especifica que o produto REI traz os produtos HERDEIROS, no Marketing isso significa “Prolongar a experiência”, que se for apenas pensado em “Fluxo de caixa”. Se podemos chamar de Cauda Longa um sucesso, destacamos o universo Star Wars e Harry Potter, que mesmo após o final dos filmes, continua até hoje VIVOS em forma de games, livros, novas edições, edições de colecionadores, coleções, exposições.

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