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O poder das sagas advém do gosto, da identificação, do contato e da viagem que o consumidor experimenta quando entra em contato com a história. Por que obras como Harry Potter, mesmo depois de ter acabado em 2011, ainda rende material atualmente?Por que ainda se houve falar em concurso culturais, lançamentos de novos livros sobre a saga? Mesmo tendo a trama principal finalizado, parece que a história ganhou adeptos.

Podemos entender olhando para trás, na verdade, um pouco mais para trás. Os dois grandes grupos, enormes de fãs, verdadeiros estudiosos e aficionados, capazes de delinear a trama inteira com tamanha complexidade, como se fossem verdadeiros historiadores, estou falando dos fãs de Star Trek e Star Wars. Se pensarmos como é que de fato uma saga pode realmente trazer esse sentimento de apego e pertencimento a que estes grupos foram atingidos, ficaremos surpresos, porque a resposta é simples.

Star Trek e Star Wars obviamente possuem elementos em comuns, são obras espaciais, envolvem alienígenas, conflitos, governos, segredos, relacionamentos e sobretudo, conquistas. Mas é uma ação cíclica, não vemos ninguém falando que a história de Star Wars e Star Trek terminou, apenas continuam. O maravilhoso disso é que são universos incrivelmente enormes para serem apenas exibidos em poucos filmes que ambos produziram. Até hoje, ambas séries levam consigo inúmeras produções, guias, manuais, trilhas, cosplays, convenções, livros, filmes, séries, sites fãs, fan-fiction e games.

Quase toda obra que não seja assinado por eles, assumimos que são semelhantes á estas sagas, apenas porque eles conseguiram ‘patentear’ a ideia toda. Mas por que as pessoas se identificaram com elas? Por que um pai de família sai vestido de alferes da Enterprise para ir numa convenção durante o final de semana? Por que gastam até mesmo R$ 3.000,00 para fazer uma fantasia para o Cosplay? Tem alguns que transformam suas casas em verdadeiros decks da nave.

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Identidade. Ok, é uma resposta simples. Mas avisei que seria. Na verdade não há outra forma que faça uma pessoa melhor se relacionar com algo, do que a identidade com algo. Não adianta apenas gostar. Na verdade gostar, pode ser considerado com uma ‘curtição’. Tem pessoas que gostam de montanha russa, mas não montam uma em casa. Agora quem se veste com um uniforme e sai na rua com ele, não apenas gosta, ele se identifica.

Essas sagas foram em cheio, mas reconheçam que não era de fato um objetivo dos criadores. Enquanto Gene ainda estava muito ocupado tentando que as emissoras aprovassem seu piloto, e receber diversas críticas de que sua série era tediosa, seus produtores e elenco pensavam em ganhar um din-din. Mas a série entrou na grade, e entrou na mente dos telespectadores. Tanto que o que se lembra de quando a série saiu do ar, é que os fãs foram contra.

Já tinham fãs em 1969, em 3 anos de série? O fato não é, porque as emissoras não viram isso, o lado aqui a entender é, que as pessoas já se identificavam com a série. O desenho que ficou pouco conhecido aqui para as terras Tupi, conquistou alguns outros. Quando o filme estreou, então o coração bateu forte. De fato o universo Star Trek estava feito. Não havia volta. Depois foram 4 séries seguidas, praticamente um passando para o outro a rendição. Em 1987-1993, 1992-1999, 1995-2001, 2001-2005 (Nova Geração, Deep Space Nine, Voyager e Enterprise).

Entre muitas sagas, Star Trek está viva até hoje, mesmo com o último Star Trek em 2013, a Era da Escuridão. Não parece que é uma saga que vai ter um fim algum dia. Star Wars também nunca para. Na verdade, o último filme foi feito em 2005. Mas aos ratos de bibliotecas, acharam o manual do Jedi e do Sith á venda. Em breve ganhará força com mais um sétimo filme. O verdadeiro marketing dessas sagas, foram de serem espontâneas, e ao mesmo tempo unificadoras. Todos os atores envolvidos são carismáticos e filantrópicos em sua grande maioria, são tão ‘humanos’ quanto ‘humanos’ (Tyrell em Blade Runner).

Muitos fãs se identificaram que podiam ser como eles, comandantes de naves, exploradores do espaço profundo, diplomatas como o astuto Picard. Quem não se identifica?

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Agora o outro lado de uma saga mal sucedida pode ser ilustrada pela primeira foto. Lost…é uma série que terminou com um enorme ponto de interrogação. Muitos dos seus fãs assíduos apenas jogaram tudo para o alto quando o último episódio deu as caras em 2010. Há exatos 4 anos, Lost terminava. Mas ele realmente terminou. Os sites mais fortes da saga, tem a última postagem em idos de novembro de 2010. O máximo que uma rede social atual faz, é falar que os atores estão comemorando o aniversário.

Mas nada dizem sobre a organização Dharma. Mas o que falar? A maioria dos fãs queriam a resposta, isso faria sentido. A ilha teria um destino melhor que o total esquecimento que o absorve atualmente. Lost é um seriado lost mesmo. Isso significou perda total de sentido. Imagine querer se identificar com uma série que levanta questões, mas não responde nenhuma no final. Não há sentido sobre Dharma, não há conclusões. Não há como identificar na verdade.

Lost é uma série que se foi, e para muitos, foi tarde. O conteúdo da série extrapolou todos os sentidos de curiosidade, de desbravamento, de milagres, de bizarrices, do fantástico, mas o grand finale apenas disse – “Pois é”. Não funciona. Ao contrário das séries citadas, Lost é um furo da história das séries do que não fazer. É equiparável á um filme ou jogo que o final decepciona tanto quanto o mistério do prelúdio, rever é uma perda de tempo.

A mágica de Harry Potter foi simples no toque, relacionamento como nós vivemos, num mundo incrível que mesmo habitado por dragões e bruxos com cara de cobra, era tão verossímil quanto o nosso. Esse foi o truque de mestre. Apenas uma tática de marketing e de conteúdo que alguns escritores e diretores já dominaram muito bem.

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