Se você passou nos últimos dias ‘folheando’ as páginas da internet a procura de uma crítica obrigatoriamente negativa ao novo título da Marvel, e uma nova história sobre o jovem Quarteto Fantástico, concluiu que ver o filme poderia ser uma péssima ideia. Mas o que ele pode lhe ensinar sobre Marketing?

Em 2008 foi lançado o primeiro capítulo da série Crepúsculo, o qual eu desconhecia a existência do livro, e de qualquer obra que fizesse fundamento aquele longa, minha premissa era ver um filme de ação vampiresca, com bons momentos de perseguição, e uma trama que envolvessem super poderes, ameaças e batalhas á todo momento.

Me decepcionei, a película tinha 2 horas, com menos de 10 minutos de batalha ‘intensa’ apenas no final do filme. Mas espera, é um filme de drama não de ação. Me preparei para uma abordagem de ação, não de um filme de drama. Eu não era o público dessa saga. Sim, é fato. Quando me programei para vê-lo como um filme de drama, vi um outro lado da história, ele não era decepcionante.

E o que isso ensina de Marketing para você? O Trailer trazia cenas de ação, ação, ação e ação. Houve uma reunião de todas as cenas eletrizantes do filme. Mas elas não acontecem de forma sequencial e lotada como o trailer nos mostra. Ela vem salpicada, e não chega a formar a adrenalina que você vê na amostra. Ou seja, propaganda enganosa? Sim.

O filme possui uma narrativa explicativa, por quase 1h30min você tem história, tem fatos, descobertas. É um filme específico para um público. No entanto a ‘falha’ ocorre justamente no processo de pré-venda do produto. Fui assistir a exibição com o conceito de “Muita ação + igual aos filmes da Marvel + não é muito bom”, durante o processo comecei a notar um fator.

Os produtores, a indústria, os diretores e os atores não souberam vender o peixe. O filme não é ruim, mas a comunicação, as ações de atração do público certo, não ocorreram. Tentei achar tudo que descreveram: Filme lento, atores péssimos, história boba. Não encontrei, e sim falta de tratamento na comunicação sobre o que se esperar.

Douraram a pílula, quando a abordagem do Quarteto Fantástico era para ser um filme como Apollo 18. Um filme que passa a maior parte do tempo explicando a descoberta e os fatos como se fosse um observador, mas não se enganem, não é tão lento como essa comparativa. Ele só o faz de uma forma extremamente diferente do último filme da Marvel – O Homem Formiga.

A própria Ubisoft anunciou uma mudança de comportamento em sua forma de divulgação, depois que Watch Dogs, fora comunicado como o melhor de sua linha de produtos. E a avalanche de comentários contrários o fizeram medir que o que eles disseram não é verdade. Watch dogs durante a E3 dizia ser ‘muito melhor’, até da versão do PS4, do que você pensa.

Marketing não é sinônimo de “invenção”, ele precisa ser concentrado no que se diz – “Público, foco e valor”. Se o produto, o filme, era para ser mais cerebral do que movimento, então o planejamento deveria ter considerado que o público era totalmente diferente do que o descrito no trailer. E essa tentativa de escancarar, esse buzz, demonstra, que a indústria de entretenimento desconhece o mercado de nicho.

Esse mercado segmentado, específico, característico. Suponho que o pensamento tenha sido: Todo mundo quer ação. Mas nem todo mundo gosta ou somente gosta de ação. E o trabalho do Marketing não é cobrir, ou intentar sobre uma comunicação que não pertence aquele produto para tentar ganhar todas as fichas que puder.

A minha pergunta fica: Se o Quarteto Fantástico fosse feito para um público de Steampunk, qual seria uma melhor abordagem no trailer para que essas pessoas se interessassem?

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