“Todo ser humano espelha em seus costumes, o que detém no íntimo” (Rafael Junqueira)

Já tentou ser uma pessoa diferente em casa e outra lá fora? Se mantém um comportamento dividido, a carga de lidar com essa atuação, pode custar e muito. Bem, mesmo que o indivíduo seja capaz de ser, não será por muito tempo. O que fazemos dentro, fazemos lá fora, igual sem alteração ou imperfeição. E nós agimos assim em todas as ocasiões.

Mas por que usar o experimento dos games?

Há uma percepção empírica de todos, que os esportes são um canal permitido culturalmente para extravasar o lado contido, onde podemos esbravejar, mesmo que punido pelas regras, ainda sim parece ser aceito? Em comparação, as regras da vida impedem que uma pessoa dê uma rasteira em outra na calçada.

Mas no futebol, a rasteira quando dentro das regras, mesmo que de alguma forma crie impacto físico ao adversário, é aceito. Sim, os esportes nos moldam conforme sua realidade, não escondemos de forma alguma o que pensamos ou o que somos, parece que a realidade do esporte nos permite liberar o lado bravo e destemido que habita todos nós.

Games são uma realidade distante do desporto. Mas com o Kinect essa distância encurtou bastante. Mas o ponto a que proponho falar não é o quanto igual é o esporte ou Game, e o que o nosso comportamento sofre devido esta similaridade, e sim a forma. Quantas vezes já nos pegamos xingando o computador porque ele nos impediu de atingir certa pontuação (e ele não vai ouvir, não é mesmo?), e de uma forma paradoxal, continuamos jogando o mesmo jogo que acabamos de detonar com raiva sem qualquer ponderação racional?

Games e Esportes atingem nosso ponto primário. Dentre as regras de ambos, deixar a adrenalina sair um pouco não é uma exceção. Para o game estamos prontos para competir, o maior risco é não conseguirmos atingir o ponto que queremos. Não vamos perder dinheiro, dignidade e nem status. Apenas não vamos finalizar a fase. E estamos dispostos a até revirar o jogo inteiro para conseguir, inclusive, a melhor pontuação.

Ainda que se faça carreira por Games, não se compara a complexidade do esportista que exige da sua imagem e preparação física e psicológica (fora e dentro da ‘quadra) obter resultados satisfatórios que são o seu ‘pão’ para sua sobrevivência.

Assim o esportista vive a pressão sobre as necessidades básicas (Pirâmide Maslow) e da publicidade. Uma vez que se destacar é seu dever, sobrepor é o seu sonho. Encare a verdade, esportes trazem a superfície o lado desbravador. Games não são diferentes, no entanto o máximo que perdemos é uma partida, que pode ser retomada mais rápido em relação a uma corrida rasa (concorda?), e lá estamos de novo no momento seguinte.

O foco dos games é explorar estratégias de uma forma mais rápida e simulada contra o esporte (Futebol, ginástica, tênis e etc) . Como na vida real, fazer o mesmo caminho, produz o mesmo resultado. Pensar em alternativas, produz resultados alternativos. Simples assim. Cito alguns títulos que permitem esta opção por métodos diferentes, que faz menção ao ditado desafiador – “pense fora da caixa”, são alguns deles:

Regras de ‘Free Action’.

  • Liberdade completa (L-Full) – regras podem ser quebradas
  • Liberdade submetida a regras de armas e arena (L-Rules) – deve seguir um padrão para desbloquear outros
  1. Deus Ex: The Conspiracy (PC/PS2), Deus Ex 2, Deus Ex: Human Revolution; L-Full
  2. Dishonored; L-Rules
  3. Batman Asilo de Arkham, Arkham City, Origins e Arkham Knight; L-Rules
  4. Watch Dogs (PS4) L-Rules
  5. Dying Light L-Rules
  6. Euro Truck Simulator 2 L-Rules
  7. Kerbal Space Program L-Full
  8. Space Engineers L-Full
  9. State of Decay L-Rules
  10. Minecraft L-Full

Quando podemos quebrar regras (L-Full) sem precisar passar por cada etapa, a fim de obter um resultado, que nós já havíamos pensado antes, a comparação desse pensamento atualmente é altamente banalizado. Acontece que a realidade exige que você passe por cada etapa, um processo de burocratização desnecessária. Podemos citar na educação Montessoriana uma abertura de concepção para os que já possuem na cabeça um planejamento que visa atingir o nível imediatamente seguinte, sem ter que repetir a dose toda de novo.

A medida segue a liberdade de desejo, e prontidão do indivíduo. O ensino por nível, o mais comum, adota que mesmo que seu interesse seja de aprender física mecânica ainda na quinta série, você é ‘obrigado’ a pensar em etapas. Às vezes o conceito de queimar fases ser prejudicial, não se aplica a todos. Nós não somos todos diferentes? Então porque todas as regras parecem se aplicar a todos, ou será que são todos obrigados a pensar e ver assim?

A interpretação é livre.

Alguns indivíduos adotam games do tipo L-Full e outros L-Rules. Ou ainda, os jogos lineares. Onde o livre pensamento é descartado (lembrando que esse detalhe não classifica uma pessoa como sendo contra o livre pensamento) apenas sua escolha que vemos. Para aprofundar sobre a real escolha, e o que isso nos diz sobre a pessoa, apenas conhecendo-a será possível.

Mas o que podemos dizer de gestores que adotam esses tipos de títulos? Quem são eles? O método para tentar entender uma pessoa no nível profissional, não pode atender a um fator automático. Por exemplo: Uma pessoa gosta de Diablo, então ela é progressista e um vendedor Pitt-Bull? Não, não existe receita de bolo para captar a habilidade de uma pessoa. Mas com certeza essa observação aliado a uma conversa franca, permitirá conhece-la melhor.

A questão que fica é: Se sabemos que uma pessoa, a questão inicialmente levantada neste artigo, é uma única pessoa em diferentes situações. Mesmo que uma jogatina não defina seu perfil (que não define apenas), mas nos traz novos elementos de informação sobre aquela pessoa, o que interpretar sobre o costume de usar Cheats e Mods para avançar no progresso do game, e agora transportado (mesmo que superficial, sem usar filtros complexos) para o cotidiano? (Analise hipoteticamente o perfil de uma pessoa que utiliza o subterfúgio de uma trapaça para atingir um objetivo no jogo quer seja trivial ou capcioso)

E mais, construa cenários, mesmo que montados sobre análises ‘rasas’ de uma personalidade, sobre razões do uso ou não. Lembrando que uma personalidade não é julgada por teorias, e sim fatos. Esse exercício proposto, apenas permite conhecer a forma que é utilizada para entender personalidades. Para conhece-las, apenas com contato direto.

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