O curioso caso do Digitau que encheu as redes sociais nesta semana abre o caso sobre a interpretação da peça, e sobretudo, a valorização das opiniões de quem denunciou. Permitam-me que eu parafraseie, a denúncia para “chamada” de atenção. A este espaço também considero aqueles que chamam estas pessoas de chatas. Mas recomendo, aos profissionais de comunicação, terem mente aberta. Esse é um ponto importante para entender o que se passa nesta época a qual vivemos.

Assisti a campanha, e olhei para ela com olhos de crítico munido com as reclamações e outra com o olhar de apenas entrosamento, assistindo a novidade e entendo o que o banco quis comunicar. Agora preciso explicar essa parte, especialmente porque meu objetivo não é criticar esses grupos que citei, e sim de ser didático ao orientar um profissional de Marketing a entender esses comportamentos e o que isso pode significar para o seu planejamento.

Vamos separar: Os que denunciaram a campanha, o público que aceitou e o que ficou neutro, e o público vítima (no caso as crianças) por ocasião da denúncia.

ilustracao-da-coluna-mamatraca-sobre-publicidade-infantil-1377269574423_615x300.jpg

Se você for analisar friamente, a campanha não tem nada demais. O seu objetivo foi de transmitir um novo serviço de atendimento digital do banco Itaú disponível para dispositivos móveis com acessibilidade para toda a família e idades. Encare essa interpretação um pouco mais de tempo. Entenda que a operadora de TV a cabo, NET utiliza da mesma forma de comunicação, lembram do monstro que apresentava o NET em todo lugar (lembrava muito o Sullivan do Monstro S.A), houve alguma denúncia de que a operadora estava fomentado medo para as crianças? Não lembro.

Mas antes que venham com pedras e paus as mãos, calma. Associação. Puramente associação. Monstro Sullivan é amigável, ele se tornou mais ‘humano’ devido a menina Boo. Que é identificada pelo público infantil como um espelho. As crianças se sentem como o Boo num ambiente seguro. Não precisam temer o monstro. Mas tenha certeza, que há crianças que não vão concordar e vão gritar do mesmo jeito. Porque a percepção é diferente. Mas já testemunhei pais ‘forçando’ a criança a tirar foto junto a estátua, e visivelmente a criança não querendo por estar desconfortável, e as palavras deles eram— “Não teima, é amigo”. Para ela não é.

Com certeza, nem todos são assim. Mas tenho a sensação de que a percepção que a síndrome do Monstro Sullivan convença os adultos de que se a televisão mostra que ele é amigo, a criança não deve temer e o mesmo acontece ao contrário. Vamos ser abrangentes, qualquer canal de comunicação que inclua a televisãoendossa o que a criança observa para si do mundo ao redor? Claro que não. Mas porque eles denunciaram, se a percepção pelas crianças pode ter sido até nula em questão da campanha do Itaú?

Proteção. Não são pessoas chatas. É apenas proteção. É notório que o banco Itaú seja reconhecido como uma entidade forte no meios de comunicação. Há um certo tempo era patrocinadora do Kinoplex, se você é um frequentador deste cinema, vai entender que é praticamente um playground para crianças, especialmente com o serviço de festas de aniversários que eles promovem na parte da manhã. Eles são um agente influenciador, e veja só, podemos entender que até a cor ativem esse processo como nunca. Laranja, cor infantil — de ambas as marcas.

0,,40263633,00.jpg

A interpretação pode ter sido uma totalmente diferente do que esse texto os fala. Mas se também optamos por chama-las de chatas, qual seria a justificativa que comprovaria que essa ação foram maquinadas por pessoas que estão querendo irritar? Justifique a questão. Ninguém reclama sem motivo, ponto a ser observado. O que pode acontecer é você não entender, porque não prestou atenção ou melhor, perguntou o porquê?

A campanha foi clara? As pessoas que denunciaram a interpretaram como? O detalhe do ‘U’ foi mais importante que todo o resto, por quê?

Falta de comunicação, compreendo. Ela anda muito ausente, e nisso consiste parte das falhas. A comunicação empresarial não é uma brincadeira, e nisso consiste entender o ponto positivo da chamada das 15 pessoas que foram até o Conar. Se são 15 pessoas, estão erradas e se são 50 milhões, estão certas? Não há uma frase circulando pela internet que fala — “Se muitos estão fazendo não significa o certo, e se há menos fazendo não significa o errado.”

O profissional de Marketing deve atentar a essa situação com um olhar analítico e racional, mas vamos deixar de lado a frieza do Sr. Spock e entender que a campanha pode ter sido entendida por este grupo como uma ofensa. A maioria das crianças acessam as redes sociais, não é segredo. Estão conectadas as informações 24 horas por dia. Parte dessa vida digital influencia a vida física, não há como diluir os efeitos de um mundo para o outro.

A comunicação deve ser clara. Você pode achar que foi, mas precisa ter certeza.

Vi a campanha, e ela não fomenta um impacto negativo em um adulto. Sim, vamos discernir. Um adulto entende que Digitau é Digital Itaú. Entende que é um trocadilho, que significa um neologismo, e que se trata do serviços do Banco disponíveis para serem acessados via internet. Um adulto entende que isso implica que a maioria de suas ações com o banco começam a dar um passo mais profundo para as redes, ele também sabe que essa tomada de decisão implicará em mais uso da internet que ele previa. Custos, investimentos e por fim, se atualizar. Mas estamos falando de um adulto, que pode também ser influenciado positiva e negativamente pelo mesmo meio, mesmo sem perceber.

Uma criança, não é indefesa, mas com certeza não possui os mesmos mecanismos que um adulto. É como a imunidade. Se houver uma epidemia, as chances de risco maior são os idosos e crianças. Os adultos tem mais chance de sobreviver. A campanha diz claramente — DI — GI — T — A — U. E traz uma família feliz com a novidade. Alguém percebeu a família? Que há pais que protegem seus filhos? O casal de idosos? Não, é claro que não. Existe mentores, quer dizer, a criança não está sozinha. Mas o detalhe do U no final matou. Qual é a lição?

vendas-internet-analisando-site-curso-emprego-renda.jpg

A lição número 1: A campanha ressaltou a união da família, garantindo valores que o banco costuma passar. A maioria dos seus patrocínios se concentram na área cultural, então seu objetivo é de tornar a vida das pessoas melhor. Com certeza que esse valor você já percebeu?

Lição número 2: Na questão banco, para alguma agências, o serviço é falho. Sem segurança, portas abertas, acesso a qualquer um. A comunicação empresarial citada acima sofre com este deslize. A percepção do cliente insatisfeito aumenta a possibilidade de um comportamento, digamos ‘cri-cri’, mas formal, fiscalizador.

Lição número 3: A campanha precisa ser entendida, a licença poética é aceita. No entanto, há de concordar que em nenhum momento você diz “Digital + Itaú” ele diz direto Digitau assim, mencionando posteriomente Digital, mas sem a menção “A plus B” e ainda trouxe no lugar do U emojis, trazendo os significados da marca. E para algumas pessoas pode parecer óbvio, mas não é. Já devem ter ouvido falar no termo: Todos são diferentes? Bem se um pode, o outro também pode? Depende se o outro quer. Depende.

Lição número 4: É sabido que a internet o uso da língua portuguesa sofreu com o ‘deformismo popular’, do internetês, do miguxês, do emojis e dos memes. Um banco tem uma força, compreende? Não é uma força qualquer. É um banco presente em todo o território, eles possuem marca. E isso significa mais impacto, mais presença e mais posicionamento. As pessoas esperam uma solução do banco. Ninguém abre uma conta corrente porque acha bonitinho, há um motivo.

Lição número 5: Deixe de lado a crítica anti-mimi. Essa postura impede que você entenda porque esse cenário se desenvolveu. Estou certo que é difícil às vezes de manter a cabeça lógica. Mas se você controla as contas de uma empresa, e precisa se posicionar diante de casos como esses, pense bem, você vai optar por um comentário debochado ou de uma oportunidade de liderar uma solução? Quer se conhecido como o rabugento que nada faz ou o cara que levanta das cinzas? Sua marca vai ser identificada assim.

Lição número 6: Você sabe o porquê essas pessoas denunciaram? Quem são as essas pessoas? O que representam? No que acreditam? O que passaram? Se não tem essas respostas, não alimente a suposição. Se é conhecido a intenção, você entende que sua escolha por apoiar ou ir contra, significa um posicionamento, não é? Alguém sabe a intenção neste caso? Acredito que não. Então você está apoiando e indo contra…o quê?

Lição número 7: Campanha devem ser claras. Não adianta bater o pé e dizer que o público não entendeu o que você quis dizer. Esse é o ponto. Se o seu público não entendeu, está na hora revisar sua produção. Sei que esse termo irrita, sou profissional de Marketing e Design, e irrita ouvir ‘refaça’. Mas irrita mais ainda você perder as chances porque não houve alguém que te disse ‘refaça e faça melhor’.

Lição número 8: Se o público reclama, abra a sala. Esta na hora de ouvir dicas valiosas de como tocar os negócios. Quem mais sabe do seu produto que você, são os clientes. Cliente não tem sempre razão, mas somadas as suas, o negócio se torna eficiente. O que você prefere? Investir ‘trilhões’ em pesquisa para obter a mesma resposta que você poderia obter numa conversa de lanchonete?

Lição número 9: A crítica por criticar é uma gafe estratégica. Não há qualquer mérito ou ganho, apenas perda na arte de crítica. Se você prefere adotar essa análise, entenda que a possibilidade de você perder uma oportunidade de inovar é muito grande. Não existe genialidade publicitária, o que existe é um bom observador aliado a um excelente profissional.

248947-dicas-para-interpretação-de-texto-em-ingles-1.jpg

Conclusão, o caso do Digitau traz à tona o papel crítico e formal do profissional de comunicação que deve atentar para todos os lados. Ele não é um promotor ou a defesa, apenas um observador que precisa compreender, e é vital que ele se posicione neutro a uma situação. A neutralidade lhe permite observar sem um argumento pronto, o que a situação oferece, e assim entender a realidade do que se trata. Não existe suposição em Marketing, você trabalha com fatos.

A comunicação é sempre estratégica.

#RafaelJunqueira #JunqueiraConsultoria #Empresario #Empreendedor #Consultor #Consultoria #Marketing #Comunicacao #Publicidade #Mkt #MarketingRelacionamento #SegurancaInformacao #Veracidade #Estrategia #Tatica #Pesquisa #Digitau #BancoItau #Itau #Campanha #Banco #Serviços #Compreensao #Interpretacao #Analise #Educacao #Kinoplex #Net

 

Anúncios