A Instituição Evangélica de Novo Hamburgo (IENH) promoveu uma festa temática, organizada pelo núcleo pedagógico e com os alunos que através de uma resposta caso a tentativa para vestibular resultasse em reprovação. A resposta era apresentar quais profissões eles acabariam tendo que optar se não fossem aceitos por uma universidade. Há 2 anos, o Colégio Marista também protagonizou o mesmo fato e não terminou muito bem.

Confira a notícia – Se nada der certo: O preconceito começa na escola

Qual é o problema?

A questão avalia que se você não for um profissional com ensino superior, consequentemente terminará em uma função inferior. Ou seja, sem diploma universitário você não terá sucesso. E classifica (rotula classes) que certas profissões são consideradas abaixo de outras.

O slogan do programa deixa bem claro essa intenção – “Se nada der certo.”.

Persistência no erro gera uma crise maior? Sim, e ainda mais se ele faz parte do programa pedagógico. É um erro que possui um endosso.

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Após o ocorrido a escola publicou uma nota de esclarecimento, que na verdade, cria uma nova crise. Pois o reflexo do acontecimento interpretado pelo público não parece ter reacendido a implicação na instituição.

Leia o Reflexo do Filósofo Eduardo Wolf e o Historiados Leandro Karnal sobre o caso.

O posicionamento (destaque em vermelho) expõe que a escola tem intenção de formar cidadãos e compor a nação com profissionais que integram o mercado em sua amplitude. (Este é uma ação comum, explica qual é o objetivo da empresa).

Expõe que a intenção da atividade não teve qualquer objetivo de desmerecer as profissões. Uma falha de comunicação ocorreu aqui. Se a intenção era de integrar os alunos, como vamos tornar unidos os mesmos, se quem não passa no vestibular e quem passa assumiram papéis de ‘sucesso’ e ‘fracasso’? (Esse trecho precisa ser claro, ou ele é o ápice de outra crise)

Há um ponto crítico para avaliar aqui:

  • Incoerência de contexto – O foco era promover a Integração dos alunos onde o tema da festa era ‘segmentar’ aqueles que tivessem sucesso do fracasso. Como promover união, se fica claro que há um conflito que mantém grupos separados? (Lembra da rotulação?)

No mesmo trecho existe a defesa da instituição que para argumentar que não houve uma conclusão negativa da festa, é que eles possuem membros dessas profissões na escola. (Aqui cria mais uma crise, se há funcionários exercendo esse cargo na escola, qual foi objetivo de usa-los como figuras representativas de ‘Se nada der certo?” num evento que tinha a ideia de integrar alunos?)

Leia Não deu certo: escola sofre linchamento virtual.

Vira uma bola de neve quando o injustificável é justificável.

O programa é um plano pedagógico conhecido como Dia ‘D’, explicado como uma atividade comum nas escolas na região. (Aqui temos uma faca de dois gumes.) – Porque a interpretação do evento tem dois pontos de vista (Escola – Integração \ Público – Preconceito). Se a totalidade defende uma dessas partes, essa defesa ganha força nessa proporção.

Qual é a proporção que ganhou efeito? Preconceito. Logo explicação se torna um verdadeiro tiro no pé.  As escolas e a população da região aceitam rotular pessoas e discriminar profissões? E temos mais dois cenários (hipótese) que podem ser levantados ao olharmos para essa questão:

  • Escola (Ponto de vista: Integração) – A festa foi um sucesso, portanto os alunos do terceiro ano vão levar essa ideia de união para fora, vão para comunidades acadêmicas e influenciaram diversas ou centenas de pessoas por onde passarem;
  • Público (Ponto de vista: Preconceito) – A festa foi uma reunião elitista que prima alunos de alta classe com privilégios (que conforme a argumentação de que a escola tem um quadro de funcionários ‘alvo da chacota’) fizeram uma despedida da vida escolar com zombaria dos ‘infelizes’ que não irão para as faculdades.

Quando o argumento mata o próprio argumento?

“O objetivo principal dessa atividade foi trabalhar o cenário de NÃO APROVAÇÃO NO VESTIBULAR, de forma alguma foi fazer referência ‘não dar certo nada vida'”

  • O título da festa é “Se nada der certo” o ponto de referência é o vestibular e o auxílio é tornar os alunos integrados;
  • A compreensão seria: Se você não passar no vestibular, não se preocupe, pode relaxar com os amigos? Um churrasco bastaria. Mas o uso do contexto das fantasias, o termo “Se nada der certo” e aplicação focada em funções (prioridades) comunica outra mensagem da intenção;
  • O evento e a nota de esclarecimento se tornam confusas a partir desse trecho;
  • O ato de não obter aprovação era representado por uma fantasia, que fazia alusão uma profissão considerada de quem não seria universitário. O grupo dos não universitários caem: Faxineiros, vendedores ambulantes, garis e etc. Qual seria o grupo dos universitários? (A percepção do público realizou essa regra de 3 de forma imediata)

Soma-se mais uma crise, pela contrariedade da afirmação. Do que se trata a festa então? Por que as fantasias foram escolhidas? Por que essas profissões foram as optadas? –A questão é, quais elementos são desnecessários nesta história e quais ações seriam apropriadas para terem evitado essa situação?

Nota: A começar é claro com o caso ‘clone’ do Colégio Marista de 2015.

Leia Se tudo der certo, o Brasil será da molecada que trabalha.

E o argumento volta no ponto não esclarecido com um outro problema.

“Atividades como essa auxiliam na sensibilização dos alunos quanto a conscientização da importância de pensar alternativas no caso de não (ter) sucesso no vestibular e também a lidar melhor com essa fase.”

  • O argumento avalia que a não aprovação no vestibular implica em uma alternativa de opções;
  • Opções de carreira que incluem apenas: Domésticas, faxineiros, garis e etc;
  • A nota infelizmente argumenta que a não aprovação recai em escolhas ‘inferiores’ a quem seria universitário.

Uma ação apropriada a este caso seria de avaliar que na falta do ensino superior que não impede de uma pessoa de trabalhar e ter sucesso, era de priorizar o empreendedorismo.

Conclusão.

Há vários indícios que a nota de esclarecimento discorreu sobre os fatos que foram gerados a partir de notas de repúdios, de indignação e manifestações das pessoas que viram o evento como uma promoção a exclusão e fica claro as atrapalhadas em diversos momentos. Os fatores sensíveis na comunicação e na sociedade não podem ser desprezados.

O uso comparativos na vitória ou perda implicando em uma classificação (Não passou no vestibular, se fantasia do que você não quer ser amanhã) toca em um quadro de força extrema, a desigualdade. Que recaí em outros pilares como a desigualdade de gênero e o desprezo da etnia (preconceito\racismo). Um caso leva ao outro por ter uma conexão forte.

A grande maioria de quem recebe o impacto a rotulação (Dress Code, etiqueta) são mulheres e quem sofre com apontar o dedo, suspeita de que fez algo errado, são as minorias.

A mensagem do programa que parece ser ‘integração e união’ não atingiu seu objetivo por não ter sido bem planejado e aplicado. E a reação da escola gerou outras crises. Encarar o fato de que o tema viralizou em uma mensagem negativa seria a ação mais apropriada do que tentar explicar o que não é possível explicar.

Esse equívoco é semelhante ao case do Pão de Açúcar de 2013, que virou caso nas Redes Sociais quando usou uma estátua de uma criança negra com grilhões nos pulsos e tornozelos com uma cesta de pão sob a cabeça. A explicação de colocar a estátua nas pendências do mercado era que fazia parte da decoração.  Decoração é uma comunicação, o que significa colocar uma ‘decoração’ como essa nos corredores? (Exposição? Tema histórico?)

A mesma relação ocorre neste case – reflita sobre ‘Não passou no vestibular se veste de gari e segura a frase “Se nada der certo”‘, o que isso significa?

Quem é?

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Publicitário / Designer / Consultor / Palestrante / Empresário e CEO da Junqueira Consultoria. MBA em administração de Marketing e Comunicação Empresarial (UVA), Marketing de Relacionamento — CRM (IBMEC), Gerenciamento de Crises nas Mídias Sociais (ESPM). Especialista em Marketing Jurídico, Relacionamento e Redes Sociais. Colunista no Instituto Vendas.

Participe do grupo “Marketing de Relacionamento”:

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